Bi-Den-For Cap. 5
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Bi-Den-For

Capítulo 5 — Meu Objetivo

A Penumbra do anoitecer começa a dar as caras no céu alaranjado, as estrelas começam a dar o seu brilho, a lua minguante no topo do céu dando o seu sorriso brilhante e tirando sarro da minha corrida desajeitada dando tropeços nos gramados.
Pouco tempo depois, uma silhueta loira surge no horizontal junto com o salgueiro lutador, quando eu chego mais perto, era Hanna e ela estava de braços cruzados e batendo o pé no chão em um ritmo acelerado.

— Você está atrasado — ela bufa com o rosto levemente, o seu rosto branco um pouco avermelhado expressa desaprovação.

Paro na frente dela e abaixo colocando as mãos nos meus joelhos tentando recuperar o fôlego — Desculpa, eu fiquei preso num armário — dou um pigarro.

— Esse tempo todo?

— É... A porta estava bem trancada.

— Tudo bem — Ela suspira e ergue as mãos me oferecendo uma caixa preta com uma tampa feita de tecido de veludo verde-escuro em cima, tinha desenhos em forma de serpentes cuidadosamente costurados — isso é pra você, segura.

— Hanna? — pego a caixa e retiro a tampa e dentro dela, tinha uma varinha — O que é isso?

— um remo para quando você tiver uma canoa, é uma varinha seu bobo.

— Eu estou vendo que é uma varinha, mas pra quê?

— Esta é a varinha da minha mãe, ela me deu quando eu era pequena, mas agora eu estou dando a você.

— Eu... Eu não posso aceitar isso.

— Mas você vai... ou quer ser expulso daqui?

Vejo que não tenho outra opção a não ser aceitar — Obrigado — digo com um sorriso.

— Então vocês dois estão aí — Rodolffo simplesmente aparece atrás de mim como um passo de mágica carregando um monte de pano em um braço, incrível como um grandalhão que nem ele consegue andar sem fazer barulho — Toma, usa isso — ele joga os panos em mim com tanta força que quase caí no chão.

— Mas o que é isso?

— É uma armadura medieval, são nossos uniformes não está vendo — ele olha para Hanna apontando para mim e arqueando a sombrancelha — ele é tão banana assim?

— Não é isso — ela solta uma pequena risada — você trouxe sem avisar nada, é claro que ele não sabia o que era.

— Eu... Eu não sei o que dizer, minhas coisas ainda não chegaram e isso vai me ajudar a me alocar.

Rodolffo bufa mas dá um sorriso de canto do lábio quase imperceptível — guarde isto, você tem que se preparar pra começar a treinar, não vai querer sujar elas.

— Treinar? Mas as aulas de feitiço são só na quinta-feira.

— Não é esse tipo de treinamento — Rodolfo sorri e bate seus punhos um contra o outro — Vai ser o meu treinamento, na base da porrada.

Meu rosto fica mais pálido que papel sulfite, o meu estômago começa a se revirar, vejo Rodolfo tirando seu avental e jogando no chão sem se importar se vai suja-lo, seus braços pardos com cicatrizes e fissuras de músculos aparecem timidamente na sua pele, a sua camisa branca marcada pelos músculos do seu corpo de fisiculturista me passam uma sensação de desespero — Que piada é essa? Eu não vou brigar contigo, além disso... Sou um boneco de ventríloquo perto de você, vai me desmontar num soco como peça de Lego.

— Boa sorte Mika — diz Hanna que se afasta da gente e senta numa pedra distante.

Sinto uma gota de água atingindo a minha testa, olho para cima e o tempo começou a fechar — Vamos deixar pra outro dia, parece que vai chover e...

— Você não tem escolha baixinho, se correr o bixo pega e se ficar o bixo come.

Um tempo se passa e me vejo sendo jogado de um lado para o outro como se fosse um boneco de pano, minhas roupas se encardiram com o barro e com a grama, a chuva caia sobre a gente, mas pareciam pedras afiadas, o meu corpo está dolorido com diversos arranhões na pele.
De pé estou, mas a minha respiração está pesada e as minhas pernas estão bambas.

— De novo seu palerma, até os coelhos batem com mais força.

— Eu não consigo.

— Então eu vou te matar — em um segundo, vejo aquela montanha cheia de músculos vindo para cima de mim, tento correr mas sou pego por uma das mãos desse brutamontes, ele me agarra pelo pescoço e me ergue para cima, os seus dedos começam a me enforcar e meu ar é cortado enquanto a água escorre sobre meu rosto.

— N..não.. con..consigo re...respirar — falo com bastante dificuldade e olho para Rodolffo, ele está sorrindo como se estivesse gostando de me ver sofrer, olhei para Hanna que estava sentada com o seu guarda-roupa olhando a gente com uma expressão aterrorizada, tento bater nos braços de Rodolffo mas são duros feito metal.

— Você me dá pena — Ele me joga no chão com tanta força que vejo tudo girar, não tenho mais noção do tempo, meu corpo está fraco e trêmulo, a chuva pesa sobre ele, meus hematomas latejam e tudo o que vejo é a silhueta negra e loira de Hanna olhando para mi.

— Fraco e indefeso, um bruxo que mal sabe um feitiço, por que veio aqui? Veio tirar sarro da gente? Somos palhaços para seu entretenimento? — ele me chuta na barriga com tanta força, que sinto o meu diafragma sendo esmagado

Fico calado ouvindo diversas ofensas, tento me concentrar em respirar para não perder a consciência — Por que não volta pra casa? — ele diz — Só porque tem sangue de bruxo em suas veias, não significa que você é competente pra ser um. Ninguém aqui vai te ajudar, não existe feitiço que pode te tornar pelo menos medíocre, nem mesmo esse caderno que você carrega pra cima e pra baixo — Seus pés pisam na lama com força que ela respinga em meu rosto.

— Essa merda aqui não passa de um livro de respostas onde você copia e cola — É o meu diário que estava com Hanna, será que ela trouxe pra ele? É porque ela faria isso? Ela me trouxe até aqui pra me ver apanhar? Será que faço os outros sentirem tanta raiva de mim?

Vejo o diário ser jogado no meio da lama, Rodolffo pisa em cima dele e esfrega com seu pé — Aposto que seja lá quem escreveu isso tudo, é merdinha que você, ou até pior.

As palavras foram como um soco em meu estômago "estamos orgulhosos de você Mika.. o seu pai fez de tudo para te por nessa escola... você tem tudo para ser um bruxo feito... te amamos" lembro das palavras e da carta que meu irmão escreveu para mim e então, uma furia toma o meu corpo, meu coração se enche como uma fornalha.

— Lava essa boca quando for falar... DO MEU... IRMÃO — Dou um grito que mais parecia um rugido, em um segundo me vejo acertando um soco em cheio no rosto de Rodolffo, sinto uma dor aguda nos meus dedos mas consigo me manter de pé — Eu não ligo de como vim parar aqui, posso ser atrasado e posso ter as respostas na ponta dos meus dedos, mas isso não foi mérito meu, pessoas lutaram em meu lugar para que eu estivesse aqui.

Rodolffo ficou me encarando enquanto eu respirava com agressivide de tanta raiva, ele sorriu e novamente veio pra cima de mim — então você admite que é um nada, é um parasita que se aproveita dos outros — em um piscar de olhos, vejo o punho dele me acertando igual ao que aconteceu com Alexy, eu capotei e rolei no chão novamente, o meu rosto ficou dormente e minha visão escurecia, assim que ele chega perto, me levanto e acerto outro soco em seu rosto com a outra mão e sinto meus dedos se partirem.

De repente, estávamos em uma troca de socos e pontapés, eu sendo arremessado mas sempre me levantando e o acertando, o meu rosto todo dormente e o meu corpo esgotado queimando por inteiro, eu não via nada além de vultos negros, Rodolffo estava me segurando com suas mãos enormes em meus braços me esmagando como se fosse uma latinha.

— Sabe o que eu penso quando te vejo, um monte de esterco que serve para alimentar os porcos, isto é o que todos desta escola pensam se você, porque todos aqui vão se tornar algo importante.

Mesmo com muita dificuldade para inalar ar na qual fazia força, falei — Eu não ligo para o que pensam de mim, pode me chamar do que quiser, eu não estou aqui para me tornar melhor que todo mundo, estou aqui em nome daqueles que acreditam em mim e no meu potencial — com meu último esforço, dou uma cabeçada na boca de Rodolfo e ele me solta colocando as mãos em seu rosto, o gosto metálico de sangue corre da minha testa até a minha boca — Eu sou Mikael, o próximo ministro de Azkaban.

Rodolffo cospe um dente na lama e aponta o seu dedo para mim — então este é você, determinado a seguir um sonho fútil na qual nem sabe que vai ser possível, cego pelas expectativas — Ele se vira com a boca jorrando sangue, seu olhar era sério de quem iria quebrar cada osso do meu corpo, então ele sorri e faz um aceno de aprovação — olha para você, está um trapo mas continua de pé, determinação e bravura, isso não é coisa de alguém da Corvinal.

O restante da luz que eu via, se apagou, perco o equilíbrio e sinto um impacto do chão, um zumbido emerge em meus ouvidos aumentando gradualmente, não consigo mais me mexer.