
Bi-Den-For
Capítulo 4 — O duelo
Estou paralisado refém do meu medo, a duas varinhas prontas para me mandar pra enfermaria, aqui é uma escola não é? cadê o diretor? Algum professor? Por que nenhum deles surge do além e separa essa briga assim como nos filmes? Os gêmeos estão me encarando como se eu fosse algo a ser varrido do planeta.
Mas sinto uma pressão maior, uma sombra emerge sobre os gêmeos e encobre todo o meu corpo, ela cria dois olhos que pegando fogo de tanta raiva, com ela, uma imponência esmagadora pesa sobre todos, uma silhueta negra que emergiu silenciosamente atrás deles bufando como um touro raivoso.
— Como ousam... machucar... a minha HANNA!? — Sua voz foi separando cada frase em um tom baixo e agressivo até um grito de doer a espinha.
Os dois gêmeos antes que possam olhar para trás, uma mão agarra Alex pelo ombro e o joga para cima como se fosse um avião de papel, ele solta um grito curto enquanto voa em direção ao teto.
— Senhor Alex? — Diz Alexy que ao olhar aquilo fica perplexa, seu olhar e expressão disparam medo pois a sua visão focou em um surpreendente punho vindo em alta velocidade, ele atinge o seu rosto em cheio que a faz voar até a roda de alunos que não a seguram.
Em questão de segundos, Alexy estava no chão com o seu rosto tampado pelos seus cabelos beges, a silhueta raivosa logo tem seu rosto revelado na luz, era Rodolffo que está tão furioso que veias sanguíneas saltam do seu pescoço, mãos e testa. Seus dentes estão rangendo tanto que parecem rachar, agora entendo o porque ele se nomeia como um Terremoto.
— QUE FITA É ESSA JÃO? — dispara ele com um grito que quase me faz ter um ataque cardíaco.
— Eu... É .. A...
— Eu sabia que você ia machucar ela, você é um péssimo exemplo pra Hanna, ela nunca se meteu em nenhuma treta antes, mas foi só te conhecer que a lady capotou o monza — Seu olhar fumegante me queima por completo.
— Ele não teve culpa Rodolffo — diz Hanna em pé com a mão na barriga — Foi eu... eu que entrei no meio e comecei a brigar, esses dois estavam mexendo com ele.
— EXATAMENTE HANNA! se você não tivesse conhecido esse songo mongo, isso não teria acontecido, agora além dele, você também corre risco de expulsão — Diz Rodolffo com um tom de fúria.
— Ora ora ora, até que o cabeçudo é inteligente, concorda comigo, senhorita Alexy? — Diz Alex que está no alto flutuando.
Aquilo assusta a todos, pois Alex, mesmo após ser arremessado, ainda estava com o mesmo olhar egocêntrico, como se aquilo não significasse nada.
— Concordo Senhor Alex, parece que o nosso plano fracassou, é uma pena que essa escola está cheia de enxeridos — Diz Alexy que está de pé e com o mesmo olhar de seu irmão.
Aquilo me faz ficar em confusão, ela estava no chão e basicamente desacorda, eu esperava pelo menos um hematoma no seu rosto, mas não... ele está sem nenhum risco ou uma evidência de quem acabou de levar um soco no meio da cara, Alex aterrissa no chão ao lado de Alexy, os dois guardam as suas varinhas e ficam prestes a virar de costas para nós, porém eles vão formulando frases um de cada vez.
— Você tem sorte, garoto... Mas não fique feliz por ter essa ajuda.
— Aqui não é o seu lugar.
— Volte para o buraco que saiu.
— Ou nós vamos te obrigar.
Os dois explodem numa luz tão radiante que cega a todos e após escurecer, eles somem deixando um texugo de papel no lugar.
uma hora depois que os ânimos acalmaram, estávamos num canto do salão principal, Rodolffo estava gritando horrores conosco e com palavras difíceis de decifrar, eu teria que desvendar o código morse para cada palavra que saia da sua boca.
— QUE PROCEDÊ É ESSE QUE SEIS TAVAM?
Hanna fica calada olhando para baixo com o rosto rosado de vergonha, ela não parava de coçar os seus joelhos, chegava a ser agoniante.
— Olha, ela não teve culpa, só estava tentando....
— Bahbiblibabi — Ele me interrompe enquanto faz uma voz fina e caretas — Não importa quem tá certo, seis tem noção do vespeiro que tavam cutucando?
Fico calado, Rodolffo abaixa a cabeça e inspira fundo, ele espira e agacha de frente para nós.
— Olhem aqui seus cabeças de abacaxi, fiquem longe dos irmãos Alex'Ys... eles são barra pesada e a família é ainda pior.
— Eu percebi — diz Hanna que coloca a mão na barriga, o seu uniforme está com um buraco e a sua pele está avermelhada devido ao feitiço que levou.
— Valha nossa Senhora! Isso é normal?
Hanna solta uma pequena risada — Eu já tive machucados piores, não se preocupe.. além do mais, que tipo de feitiço era aquele?
— Não Sei — Diz Rodolfo — nunca vi um feitiço com uma proporção tão letal e do jeito que ela conjurou com facilidade, deve ter outros igual aquele escondidos na mangá ou até pior.
— Minha barriga dói só de pensar em um feitiço que vocês não conheçam, digo... vocês devem estudar magia desde bebês, flutuar no ar ou usar o protego devem ser comuns.
— Eu nem sabia que existia um feitiço pra flutuar além do Wingardium Leviosa, não conheço mais nenhum feitiço de levitação, nem sei se dá pra usar em você mesmo — Diz Hanna.
Rodolffo pega a sua varinha e aponta para o ferimento de Hanna — mesmo que fosse, manter uma levitação como Alex fez exige muita habilidade e concentração, ele não conseguiria sozinho, antes de eu "apagar" Alexy depois que joguei seu irmão pro alto, eu vi ela manipulando sua varinha sutilmente e depois que dei um soco nela, eu não senti nada... Nem o impacto.
— Como assim!? — exclama Hanna
— Isso vai doer um pouquinho — diz Rodolffo que olha para o ferimento de Hanna, ele saca a sua varinha e ela emana uma uma luz verde-jade na ponta. — Accelerate Sanitatem — um flash emerge da varinha e Hanna solta um curto grito e gemidos de dor.
O Seu ferimento é curado gradualmente mas rápido, a sua pele se clareia como se nada tivesse acontecido, porém seu uniforme ainda continua rasgado.
— Eu não sei como explicar, mas ela se defendeu de alguma forma.... coloquem isso na cabeça oca de vocês, fiquem bem longe deles — ele nos encara e sua voz é tão franca que foi o suficiente para fazer a gente se calar novamente.
Rodolffo se levanta e coloca as mãos no bolso — Vou lá na quebrada, fiquem longe de treta vocês dois, principalmente o suicida ai — ele se vira costas e sai andando despreocupado.
— ele gostou de você, até parou com o linguajar esquisito — diz Hanna que abre um pequeno sorriso
— como você pode ter tanta certeza, ele estava me enforcando com o seu olhar — faço uma careta seria com os lábios voltando para baixo.
Hanna solta uma gargalhada bem alta, seus olhos se lacrimejam e suas bochechas ficam rosadas — Aí Mika, eu não aguento você — diz ela soluçando enquanto limpa suas lágrimas com os dedos — acredite, se ele não gostasse, você sairia Vando igual ao Alex, mas você não teria como levitar.
Olho para o uniforme estragado dela e penso no sacrifício que fez por mim — eles estragaram seu uniforme, por que você se intrometeu?
— não só ele, a minha varinha também foi pro brejo... Digo — ela balança a cabeça para os lados — ela também estragou.
— Bom, eu posso pagar uma novinha pra você... só deixa eu falar com o meu pai e...
Ela me interrompe — Não é assim que funciona Mika, a varinha escolhe o bruxo e não ao contrário, todo mundo sabe disso.
Eu tinha esquecido desse detalhe — então deixe eu pagar por esse uniforme.
— Tenho uns 5 deles, obrigada.
—Mas então... Deixa eu fazer alguma coisa, seu dever de casa, qualquer coisa.
Ela se levanta lentamente e fica de pé na minha frente — Não precisa fazer nada bobo, eu tentei defender porque aqueles dois me irritam, eles mexem com todo mundo e ninguém faz nada, queria mudar isso mas agora eu sei o porquê ninguém levanta um dedo — sua voz se desanima.
— A... então, obrigado — digo sem saber como lidar com essa situação.
Um silêncio constrangedor invade o corredor, abro a boca para dizer algo mas sou interrompido por um som do pêndulo de um relógio que bate forte nos alertando do primeiro horário de aula.
— Melhor a gente correr, não quero levar bronca dos professores por atraso — diz Hanna.
— É... Nem eu — me levanto do banco.
— Você já tem fama de atrasadinho, não sei porque a pressa — ela dá uma pequena risada baixa — a nossa aula é de conjurações, então prepare a varinha.
— Seria mais fácil se eu tivesse uma.
Hanna me olha com uma cara de dúvida — Como você não tem? É o básico do básico, esquecer o uniforme tudo bem, mas a varinha?
— É uma longa história.
Hanna começa a dar passos acelerados para trás e grita pra mim — Me encontra no Salgueiro lutador depois das aulas — ela se vira e some no corredor à esquerda deixando apenas o barulho dos seus sapatos fazemos eco.
