Bi-Den-For Cap. 6
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Capítulo 6 — Um Concelho

Os meus olhos estão fechados mas vejo uma fresta de luz irritando minhas pálpebras, ouço vozes como cochichos abafados mas não consigo decifrar nenhuma, o ar em meus pulmões entram e saem lentamente e sinto meu coração pulsar, abro os olhos diante de uma luz forte que se desfaz gradualmente e vejo duas pessoas borradas me encarando, Hanna e uma é a enfermeira.

— Pronto, não morreu, ele já está estabilizado — diz a enfermeira.

— O... O que houve? — Minha voz sai é rouca, quase um sussurro.

Hanna me abraça em um aperto tão forte que cada célula do meu corpo dói como cacos de vidros me perfurando — Aii Hanna, isso dói.

— Desculpa — Ela fica um pouco vermelha e solta uma pequena risada — Por um momento, achei que você ia ficar vegetando igual a um pimentão esquecido na geladeira.

— Porque eu estou aqui na enfermaria?

Hanna colocou a sua mão no meu ombro e deu um sorriso com uma expressão de alívio — você levou um sacode.

— Mas que ideia estúpida de brincar no Salgueiro Lutador menino, você tem sorte de ainda estar inteiro — diz a enfermeira aflita.

— Brincando?

— Seus amigos o encontraram esparramado e todo ensanguentado no chão, o Salgueiro estava agitado — explica a enfermeira.

Dou um suspiro e tento me levantar com dificuldades, minha coluna parece que vai rachar, minha cabeça martela tanto que me dá tonturas, Hanna coloca as mãos nos meus ombros e me deita novamente devagar — não não não, você fica aí descansando, está todo estropiado.

— Eu estou bem, são só algumas dores, vai passar logo.

— hahahaha — ria a enfermeira bem alto em tom de sarcasmo — Espere aí garoto, vou pegar a sua ficha.

A enfermeira caminha até a porta de saída da enfermagem, mas antes que pudesse fecha-la, Rodolfo passa por ela com seu andar bruto, ele estava carregando alguns panos na mão direita indo para a minha direção.

— Se tá vivo menó, achei que ia virar estampa de camiseta — olho para ele tentando decifrar a sua linguagem alienígena — Hanna, A professora Mattret quer falar com você na estufa das kanabis.

— São plantas mágicas Rodolffo, já te falei um milhão de vezes.

— Tanto faz, deixa o pessoal doidão do mesmo jeito.

Hanna olha para mim e para Rodolffo — Não deixe ele levantar... E chega de briga, vocês dois — ela diz com uma voz ríspida enquanto seu dedo está a riste e depois sai da enfermaria com passos apressados.

— Ela é assustadora às vezes.

— Espera só ela saber que é mentira, aí você vai ver quem é o verdadeiro monstro aqui — diz ele sorrindo enquanto me observa — EAI? Você tá legal? Sobreviveu a 5 dos meus melhores socos, é um recorde... geralmente minhas vítimas só levam um — Ele se gaba dando socos no ar.

— Por que fez aquilo?

— Como eu disse, era um treinamento, eu queria saber do que você era capaz e confesso que me impressionou.

— não é uma desculpa esfarrapada só para bater em mim e descontar toda a sua raiva e frustrações... — as palavras saem como um jorro da minha boca, Rodolffo puxa uma cadeira e senta virando ela de costas e descansa seus braços sobre o apoio dela.

— Se liga menó, essa escola não é brincadeira. O mundo da magia não é tão "mágico" assim, se é que você me entende.
Aqui do outro lado,está entupido de perigos e muitos deles querem o seu sangue. A briga entre vocês e os irmãos Alex'Ys foi só um experimento da ponta do iceberg que esse mundo esconde — a sua voz é séria e profunda, os seus olhos ficam cravados em mim como se pudessem me perfurar — você estava no chão, Hanna estava sozinha.
E ai eu te pergunto cara de mussarela... e se esses dois fossem assassinos? Ou pior, sequestradores.
Acha que iria ter plateia em volta de vocês provocando a violência? Acha que iria surgir um professor, um diretor ou herói no último minuto?
Quando você perde a sua varinha, tem que recorrer a outros meios de sobrevivência.

encaro o teto refletindo sobre o que ele disse, Rodolffo se levanta deixando a pilha de roupa perto dos meus pés — mas tenho que admitir, achei que você fosse um bebê chorão ou um playboizinho qualquer, mas vejo que é só um banana que tem garra.

— Obrigado — falo em um tom baixo e vazio.

— Me responde uma coisa, é sério que você deseja se tornar ministro de Askaban?

— Sim.

— Hhh... Não é atoa que tenta se matar sempre que pode.

Nesse momento, a enfermeira entra com uma placleta indo em minha direção — muito bem, vejamos aqui... Você tem uma fratura no pulso, quatro costelas quebradas, tendão da mão direita rompido, quatro falanges da mão esquerda torcidos, ligamento da cavidade glenoidal da escápula danificado — Ela lia a ficha imensa.

— Bom, se é isso o que você quer para o seu futuro, então lute por ele. A maioria dos Zé roelas daqui desistem de serem algo importante na primeira vez que vêem a morte de perto, espero que você não seja como eles — Rodolfo se levanta e da outro sorriso mas com uma expressão raivosa — venha treinar comigo todo o início de noite e você vai conseguir se virar em qualquer encrenca — Ele se vira e anda com as mãos no bolso com passos brutos até sair do quarto.

— Vértebra T2, T5 e T8 trincada, Tibia esquerda também trincada, múltiplas fraturas no forame infraorbital, osso zigomático e osso nasal com diversas fraturas... e olha só, ficou por um fio de perder os movimentos graças a rompimentos no plexo braquial, isso é novo por aqui — continuou a enfermeira lendo a longa lista de ferimentos que eu tive.