Capa de Aurora, uma luz no nevoeiro

Aurora, uma luz no nevoeiro

Capítulo 4 — Capítulo 4

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MargyS2 - Encarregada
Bom dia Charlotte, quero te informar que o seu horário começa às 19:00 e termina as 7:00, a entrada dos funcionários fica atrás do hospital, num portão azul, não se atrasase, pois eles não abrem a porta depois do horário, boa sorte.

Charlie 🩺
Bom dia Margareth, muito obrigada por me dar essa chance, prometo não te decepcionar ☺️

Fim da conversa

CHARLOTTE

Não demorou muito tempo para que Charlotte chegasse ao hospital, ela seguiu as ordens que a Dr. Margareth tinha mandado por mensagem, atrás do grande edifício monocromático, havia uma fila de outras mulheres conversando em frente a um grande portão de aço azul, ela olhou para o relógio do celular que marcava exatamente 19:00h e andou até a última mulher da fila — Com licença, eles chegaram a abrir o portão?

A mulher olhou para Charlotte e deu um enorme sorriso — ainda não, disseram pra aguardar, mas estou esperando aqui a tanto tempo que as minhas pernas estão pedindo socorro — a mulher solta uma risada curta mas contagiosa.

— Entendo, é sempre assim, é mais fácil conseguir atendimento no banco que uma recepção de CLT — responde Charlotte que também ri e as duas caem na risada.

— Eu sou Francine, muito prazer — ela ergue a mão e Charlotte a cumprimenta de volta.

— Charlotte... Também é da área da coleta?

— Administrativo, estou ansiosa pra começar.

As duas ficaram conversando, Francine era uma mulher alta, de corpo robusto, coxas grossas, cabelos pretos e lisos que iam até às costas, as cores âmbar dos seus olhos se destacavam muito com o contorno preto e cílios longos. Lábios carnudos e sorriso com dentes brancos e retos, muito convidativos, ela tinha um carisma brilhante e uma risada contagiante, seu rosto e corpo eram bem expressivos. Charlotte batia nos ombros dela.

Depois de um tempo, o grande portão se abriu e um segurança usando uniforme preto e gravata vermelha apareceu e chamou todas para o seguir, Lá dentro, elas seguiam por um corredor comprido de cor branca.

— Sejam bem vindas ao hospital, é uma honra tê-las aqui trabalhando conosco, está é a entrada principal, todas vocês ao entrar ou sair, devem manter aquela porta fechada — disse o segurança enquanto guiava as novas funcionárias.

— Mas qual é o motivo de tanta segurança? — Cochichou Charlotte andando nas pontas dos pés.

— Dizem que já tentaram assaltar e sequestrar pessoas desse hospital, por ele ser particular, tem gente que pensa que aqui tem dinheiro ou algo de valor — respondeu Francine num cochicho.

Enquanto andavam, o segurança apresentou o guarda volumes super protegido, com um balcão e paredes de vidro, havia uma pequena porta giratória onde passavam as bolsas, atrás do balcão, ficava uma segurança feminina, ela estava lendo um jornal.
Seguindo adiante, chegaram até uma área com 3 catracas e uma pequena porta ao lado, elas davam acesso a um elevador e uma escada de emergência.

— Antes de vocês entrarem, já vou avisando que aqui tem regras — seu tom era firme e frio — Quando entrarem, deixe todas as suas coisas como blusas e bolsas ali no guarda volumes, vocês vão receber um kit de uniforme e nécessaire, sempre que entrarem ou saírem, teremos que revistar suas necessáries por segurança.
Essas catracas também são o controle de ponto de vocês, assim que receberem o crachá, encostem ele no leitor e passem e seu turno se inicia.

Francine se abaixa para sussurrar novamente com Charlotte — Ele é bronco não é?

— Mulher, se eu soubesse que o pessoal daqui era tão mal humorado, teria rezado cinquenta ave marias e tomado bastante chá de camomila pro espírito obsessor não me contaminar.

— Verdade né, eu já me arrependi de não ter trazido o meu terço — as duas caem numa gargalhada em tom de sussurro.

Em uma fila indiana, o segurança começou a chamar cada uma pelo nome e sobrenome, ele entregava um crachá de identificação e um outro da brigada de incêndio, um conjunto de uniforme específico da função de cada uma e uma nécessaire.
Minutos depois, quase todas elas foram atendidas, Francine e Charlotte eram as últimas, o segurança gritou o nome de uma delas

— Francine Crowley.

— Ai! sou eu — seu tom alegre era calmo mas eufórico ao mesmo tempo, ela caminhou rapidamente na direção do segurança, os seus passos eram apressados mas graciosos.

— O seu setor é no pronto socorro infantil ou PSI, aqui estão as suas coisas — ele dá a ela um saco comprido e branco com cheiro de novo, junto aos apetrechos e a pequena bolsa de ziper — A sua área fica no andar primeiro andar do subsolo, pegue o elevador seguindo esse corredor e vire a direta, suba até o andar -2 e ande até um corredor longo que vai dar na UTI infantil, de lá vai ter mais um elevador, entre nele e suba até o -1.

— Meu Deus! quantas informações — ela solta uma pequena risada de confusão — eu vou me perder.

— Vai ter alguns funcionários zanzando por ai, é só pedir informações — diz o segurança.

— Tá bom, obrigada — ela bate seu ponto na catraca e antes de girar, a sua cintura trava entre os dois cilindros do dispositivo, porém dando algumas espremidas, ela consegue passar.

O segurança fitava a bunda de Francine como um monumental, ele estava estático quase sem reação.
Charlotte ao perceber, dá um pigarro que faz ele dar um pequeno pulo pra trás, o mesmo disfarça pegando as coisas dela.

— Charlotte Isabelly... é a última, graças a Deus — chama ele murmurando.

Charlote anda com seus seus passos rápidos e leves, ela chega até a catraca com o com a respiração um pouco acelerada — Boa noite.

— Você é a mensageira do pronto socorro adulto ou PSA, aqui estão as suas coisas, siga em frente e pegue o elevador na primeira direita, suba até o primeiro subsolo e vai dar de cara com a sua área.

— Mensageira? — ela pergunta com uma expressão de dúvida.

— Está aqui no seu crachá — ele ergue e aponta para a foto e o cargo escrito em baixo.

— Deve haver algum engano, a vaga e no meu contrato estão como auxiliar de coleta e não mensageira.

— Bom, você pode ligar para o seu encarregado e descobrir o que aconteceu.

Charlotte fecha seus olhos e respira fundo — É isso o que vou fazer — Ela se afasta do segurança virando as costas de um jeito bruto, chegando ao portão azul, ela pega o seu celular do bolso e liga para Dr. Margareth, mas a ligação caiu na caixa postal.
Ela tenta pela segunda vez, mas a sua chefe não atende, a cada tentativa, sua tensão e preocupação aumentava junto com o seu nervosismo, pela a oitava vez seguida, Margareth atende.

— Alô? — sons de violino podem ser ouvidos no fundo da ligação de Margareth

— Alô... Oi Margareth, aqui é a Charlotte.

— Charlotte? Eu não conheço ninguém com esse nome, deve ter se enganado de número moça.

— A que você contratou para trabalhar no hospital, a nova auxiliar de coleta — Charlotte aperta seu telefone de tanto nervosismo.

— Ah sim... Querida! É você? Está tudo bem?

— Não muito, estou aqui no hospital e aconteceu algo estranho, eu fui bater meu ponto e vi que a minha vaga consta como mensageira, queria saber o que aconteceu.

— Minha nossa, que péssima notícia, eu realmente não sei o que deu errado, mas eu posso dar um jeito nisso amanhã cedo — durante a ligação, além dos violinos, ela ouve uma voz masculina no fundo.

— Amanhã? Mas e hoje? O que eu faço, não dá pra eu ir pra casa e voltar quando a minha vaga estiver arrumada?

— Bom, você pode ir, mas isso vai ser contado como falta no primeiro dia.

Charlotte paralisa por um instante, ela aperta tanto o aparelho que seus dedos ficam brancos como papel— mas eu não sei o que um mensageiro faz Margareth.

— Existem muitos mensageiros trabalhando aí... vai se informando querida — de repente, a voz masculina grita em um som abafado — Enlève tes vêtements mon amour, et je vais te laisser faible aux genoux — Margareth da gargalhadas tímidas na ligação.

Indignada, o rosto de Charlotte ferve, ela força a voz e aumenta o seu tom — Está me dizendo que vou ter que realizar uma função que não conheço de um cargo que não me candidatei e você não vai fazer nada além abrir as pernas para um francês qualquer?

— Vou resolver isso amanhã Charlotte, eu prometo, tenho que ir agora e boa sorte — Margareth diz alegremente e encerra a ligação.

Charlotte olha para o telefone inconformada — Mas que vagabunda — ela diz com tanta raiva que a sua vontade era de tacar seu celular no chão e gritar, mas ao invés disso, ela respira fundo e volta para a catraca.

— E aí? — Diz o segurança.

— Ela disse que vai "resolver" — Charlotte faz aspas com os dedos — vou ter que aceitar isso ou levar falta.

— É uma pena, pegue as suas coisas e só entra no elevador a sua direita.

— Tá. Eu me viro — ela toma as coisas da mão do segurança e atravessa a catraca — Desculpa, não é nada com você, essas pessoas não fazem nada direito e a gente paga o pato, isso me estressa.

Chegando ao elevador, ela aperta o botão, bufando de raiva, sua cabeça pensava no que Erick disse sobre o trabalho. Ela começou a questionar se realmente ele tinha razão, seria melhor procurar outro emprego ou seguir em frente mesmo quando os seus planos saíram dos trilhos?