Aurora, uma luz no nevoeiro
Capítulo 3 — Capítulo 3
MIGUEL
O hospital ficava do outro lado da cidade, Miguel demorou cerca de duas horas para chegar no imenso edifício, o relógio de seu celular marcava 18:30 e sua jornada de trabalho começa às 19:00.
O hospital era imenso, porém estranho, ficava numa rua de mão dupla que separava os dois edifícios de cada lado, um era monocromático de cor cinza com detalhes azuis, o outro era mais colorido com desenhos de animais e insetos felizes, ambos tinham um letreiro no topo com um logotipo em forma de um anjo.
Miguel ficou confuso em qual deles era o certo, mas não tinha tempo para pensar. Sem alternativas, ele respirou fundo, preparou a sua pasta azul de documentos e entrou no edifício monocromático, as portas de correr se abriram automaticamente e lá dentro, parecia mais um palácio, tão limpo e polido, o chão era branco com manchas cinzas, algumas barracas de diversos tipos de café fresco no preço de 22,69, além de geladeiras de guloseimas e bebidas.
Miguel parou diante da porta, se perguntando a todo momento "Será que estou no lugar certo?"
— Posso ajudá-lo jovem — um guarda de terno preto e gravata vermelha o abordou.
Miguel tomou um susto quase imperceptível, olhou para o guarda e acenou um sim com a cabeça, abriu a sua pasta azulada e entregou uma carta, ele pegou e leu as partes principais em voz alta "Mensageiro... Escala 12x36... 19h às 7h"
— Me acompanhe, por favor — ele disse, inclinando a cabeça para a direita, ambos foram até o balcão da recepção.
Quando chegaram lá, foram atendidos por uma mulher que também usava terno preto e gravata vermelha, os seus cabelos eram presos num coque alto.
— Boa noite, pois não? — disse a mulher com um sorriso simpático.
— Avise a Dr.Margareth que mais um dos novos funcionários chegou.
— Pode deixar, obrigada — a mulher deu outro sorriso e pegou um telefone de fio, discou alguns números e disse algo que Miguel não entendeu, pois estava distraido com as decorações do local.
—... Ela já vai descer, disse para aguardar um pouquinho está bem? - disse a recepcionista.
— Certo, obrigado. Me acompanhe jovem — o guarda inclinou a cabeça novamente e andou na frente de Miguel, os dois foram até uma ala aconchegante com poltronas marrons reclináveis e com luzes neon alaranjadas.
— Só aguarde aqui jovem, ela já vem — O guarda virou de costas e deixou Miguel com outras duas pessoas que também estavam esperando por Margareth.
Miguel observou a sala e as duas pessoas sentadas nas poltronas, um homem alto e magro, calvo na parte de cima da cabeça com cabelos pretos apenas nas laterais, seus olhos também eram pretos, o seu rosto cadavérico e cheio de rugas, aparentava ter 40 e poucos anos.
O outro era um adolescente de cabelo curto e cacheado, usava óculos e isso dava um charme nos seus olhos castanhos.
Miguel sentou numa poltrona afastado dos dois rapazes, eles estavam conversando entre si enquanto esperavam a presença da Doutora Margareth.
Dando as 20:00h horas, nada da doutora aparecer, alguns minutos depois, um senhor calvo que aparentava ter 50 e poucos anos usando um jaleco branco e de curtos fios de cabelos grisalhos e olhos azuis apareceu na área relaxante de espera.
— Boa noite senhores, eu sinto lhe informar que a Dr.Margareth não poderá comparecer está noite, Eu sou o Dr. Jairo, responsável pela recepção de vocês, como estão? — ele acena com a cabeça respeitosamente enquanto sua postura ereta de braços para trás revela o seu profissionalismo.
— O que aconteceu com a doutora? — disse o jovem
— Estamos esperando há horas aqui, não é muito profissional da parte dela marcar um compromisso e não comparecer — respondeu o homem calvo com um tom ignorante e ríspido.
Miguel ficou calado observando a situação — Lamento por isso, a saída dela foi inesperada, nem sabiamos que os novos funcionários iriam começar hoje, venham comigo, vou apresentar o hospital para vocês — Disse o Doutor.
Os 3 rapazes o seguiram até uma porta de vidro giratória, Miguel notou o quanto a segurança do hospital era forte, semelhante a um banco, cada funcionário tinha seu crachá, eles tinham que colocar uma senha em cada porta para poder passar de um ambiente para outro, além disso, o aparelho de trava-portas tinha um teclado número e um visor, este visor indicava o nome de quem destravou, data e hora.
Miguel e os outros estavam seguindo o Dr. Jairo que não parava de dar informações das salas, corredores e de como o ambiente funcionava, aquilo era apenas o início de sua jornada.
