Aurora, uma luz no nevoeiro
Capítulo 2 — Capítulo 2
CHARLOTTE
Charlotte estava terminando de arrumar sua pasta de documentos e se preparando para começar uma nova jornada em sua vida. Cerca de dois dias atrás, ela recebeu um e-mail aprovando a sua contratação de auxiliar de coleta no hospital Anjos da Guarda.
Porém, o seu objetivo era outro, queria se tornar cirurgiã cardiovascular, ela dedicou anos da sua vida em estudos e sacrificou noites de sono, completou a graduação de medicina, mas um ano antes de completar a residência médica, o seu pai, o único familiar, veio a falecer vítima de DPOC.
Abalada com o lluto, ela entrou em desânimo profundo e desistiu de seguir carreira, queria que seu pai tivesse a visto conquistar uma carreira primordial.
Seu namorado Anderson, esteve ao seu lado em cada momento, sempre apoiando com a sua presença.
Com o passar do anos, ela decidiu retomar seu objetivo e arquitetou um plano, e para economizar tempo, decidiu se inscrever para se destacar na medicina e subir de cargo na cirurgia.
O relógio marcava quatro e meia da tarde, Charlotte estava de frente ao espelho dando os últimos retoques na maquiagem, ela ajeitou o seu cabelo liso cor de cobre na parte de trás da sua orelha, deixando o seu rosto ter mais destaque, a pele branca e rosada com sardas no meio do nariz fino, davam uma presença angelical. A cor do rímel levemente preto e cílios longos e pretos, faziam contrastes impecáveis com os seus olhos verde-esmeralda, a sua boca rosada não precisava de um batom chamativo, apenas um leve toque de base.
Ela ajeita a sua blusa de cor vermelho-vinho feita de lã e bate a poeira da sua calça jeans azul escuro.
— Estou pronta — ela sorri com grande alegria mostrando dentes brancos e retos para o espelho, quando ela se vira para sair do quarto, Anderson encosta na porta com o ombro enquanto segura uma maçã, isto a impede de sair.
— Ui ui ui, melhor fugir pela janela antes que a minha namorada apareça — ele termina a frase mordendo a maçã.
— Seu besta — ela o empurra para fazer ele sair do caminho e passa para o corredor no meio da casa — como eu estou?
Ele a puxa para o seu corpo e a abraça pela cintura — não sei porque teve tanto trabalho pra se vestir, sendo que vou ter que tirar isso tudo — ele a beija nos lábios passando pelo pescoço dela, o hálito quente na sua pele macia, a faz arrepiar mudando o seu tom rosado para vermelha
— Para com isso — ela dá pequenas risadas e guia o rosto dele com as mãos para o seu olhar — você vai me deixar toda desleixada para meu primeiro dia de trabalho.
— Amor, esqueça esse trabalho, você pode arranjar um emprego melhor.
— É mesmo? Me apresente os contras.
— Vão ser horas de viagem até chegar no hospital e ficar transitando em meio aos doentes, não me parece uma boa ideia.
— Está tudo bem, é temporário, eu só aceitei trabalhar para me destacar.
— Mas a noite toda? Não me parece muito seguro.
— Amor, não vai acontecer nada, além disso, assim que eu sair de Auxiliar de coleta pra estudante de cirurgia, nada vai poder me parar.
— E eu? Vou ter que ficar sozinho nessa casa a noite inteira?
— A gente compra um hamster pra te fazer companhia — ela se solta do abraço com cuidado para não se sujar com a maçã — não precisa ficar preocupado, você sabe o quanto eu lutei por isso... é o sonho da minha vida.
—Eu sei, só não quero que coloque seu esforço em vão.
— Não se preocupe, meu bem... quando você menos esperar, eu já saí de lá, agora eu preciso ir, ok?
— Tudo bem — ele faz uma carícia no rosto dela sentindo sua pele macia em seus dedos, o seu rosto se aproxima ao dela segundo de um beijo — boa sorte tá, se cuide.
Ela se afasta, se livrando das mãos sedutoras de Anderson, corre para pegar as chaves de casa em cima da mesa e acena para ele antes de sair.
