
Ferox
Capítulo 17 — 17-Mens
Atena — É um prazer te ver novamente, Murpho.
Murpho a encara com uma expressão cansada e um leve deboche.
Murpho — Não posso dizer o mesmo... Sinceramente, toda vez que você aparece, vem junto algum problema pra mim, Atena.
Atena ri discretamente.
Atena — Bem... um infeliz acaso do destino. Imagino que saiba por que preciso de você.
Murpho solta uma risada debochada.
Murpho — E eu sei. Seus soldados e aquele projeto falho não conseguiram pegar um moleque qualquer?
Atena olha para uma das telas do laboratório, onde imagens do incidente aparecem nos monitores.
Atena — Não o subestime. Aquele garoto é o portador do Predatory Core... e é alguém realmente impressionante.
Murpho se ajeita, cruzando os braços.
Murpho — Grande merda... continua sendo só um garoto.
Ele fica em silêncio por alguns segundos, até finalmente olhar para Atena.
Murpho — Mas me diz uma coisa... por que essa obsessão com o garoto e com essa coisa dentro do corpo dele?
Atena se vira lentamente.
O sorriso permanece em seu rosto, mas seu olhar se torna penetrante, quase ameaçador.
Atena — Porque eu quero que o nosso país deixe de ser dominado.
Murpho fica em silêncio.
Atena continua:
Atena — Durante décadas, nós fomos obrigados a aceitar o lugar que os mais fortes decidiram que deveríamos ocupar.
Ela caminha lentamente pelo laboratório, observando os equipamentos ao redor.
Atena — Sempre fomos os que obedeciam. Os que recuavam. Os que precisavam aceitar as decisões dos outros.
Ela para diante de uma tela que exibe os dados do Predatory Core.
Atena — Eu não aceito mais isso.
Seu sorriso aumenta.
Atena — Nós precisamos nos tornar gigantes, Murpho. Precisamos fazer com que os outros países olhem para nós e entendam uma coisa...
Atena encara diretamente o homem.
Atena — Desta vez, somos nós que vamos decidir quem fica no topo.
Murpho permanece calado, observando-a.
Atena toca na tela, exibindo informações sobre o Predatory Core.
Atena — E o Predatory Core é a coisa mais impressionante que já vi em toda a minha vida.
Ela observa os dados com fascínio.
Atena — Um organismo capaz de armazenar seres geneticamente modificados e transformar suas características em poder para o portador.
Atena faz uma pequena pausa.
Atena — Três vezes mais força... três vezes mais capacidade...
Ela sorri.
Atena — É como possuir um soldado que vale por mil.
Murpho olha para a tela por alguns segundos.
Murpho — Pra mim, não importa.
Atena ergue uma sobrancelha.
Murpho — Só quero terminar minha missão e receber meu cascalho.
Atena solta uma pequena risada.
Atena — Sempre tão patriota, Murpho.
Murpho — Patriotismo não paga minhas contas.
Atena ri novamente e começa a caminhar em direção à saída.
Murpho — Ei, Atena.
Ela para.
Murpho — Se esse garoto é tão impressionante assim... por que você não manda seus soldados de novo?
Atena permanece de costas para ele.
Por alguns segundos, não responde.
Então vira levemente o rosto, com um sorriso frio.
Atena — Porque desta vez... eu quero alguém que não falhe.
Murpho fica em silêncio.
Atena sai da sala.
Murpho observa a porta se fechar.
Murpho — ...Essa mulher é maluca.
[Corte]
Zaio está no quintal treinando com Dante. Mais ao fundo, Axel desenha e faz algumas anotações em um caderno.
Os dois trocam golpes em um treino amistoso. Zaio avança e tenta acertar um soco nas costelas de Dante, mas ele desvia com facilidade.
Dante — Você é tão lento que eu podia lutar com as mãos amarradas.
Zaio franze o cenho e gira o corpo, tentando acertar um chute lateral. Dante segura sua perna no ar e o derruba no chão com facilidade.
Dante — Incrível... nota zero, garoto.
Zaio fica deitado na grama, respirando fundo e resmungando enquanto tenta recuperar o fôlego. Dante olha para a própria mão, a mesma que segurou o chute, e franze a testa.
Dante — Me diz uma coisa... cê tá tomando alguma coisa?
Zaio se senta, confuso.
Zaio — Claro que não. Por quê?
Dante — Seu chute tá mais pesado.
Ele encara Zaio por alguns segundos.
Dante — Você tá mais forte.
Zaio pisca algumas vezes.
Zaio — Agora que você falou... eu também tô sentindo isso.
Ele pensa por um instante.
Zaio — Será que tem alguma coisa a ver com as transformações?
Dante coça a barba enquanto olha para o horizonte.
Dante — Pode ser...
Ele dá de ombros.
Dante — Depois de tudo que eu já vi, eu não duvido mais de nada.
Logo em seguida, volta a encarar Zaio.
Dante — Mas tem um problema.
Zaio levanta uma sobrancelha.
Dante aponta para a cabeça dele.
Dante — Você continua sem treinar o músculo mais importante.
Zaio olha para cima, tentando entender.
Zaio — O... crânio?
Dante dá um tapa na cabeça dele.
Dante — O CÉREBRO, seu animal!
Zaio esfrega a cabeça, fazendo careta.
Zaio — Ah... explica direito, pô.
Dante cruza os braços.
Dante — Escuta bem.
Sua expressão fica séria.
Dante — Você pode virar um monstro. Pode ficar mais forte que qualquer um.
Ele aponta para o peito de Zaio.
Dante — Mas, se lutar igual a um animal... vai perder pra qualquer humano inteligente.
Então aponta para a própria cabeça.
Dante — Isso aqui é a sua maior arma.
Ele toca a própria têmpora.
Dante — Os monstros lutam por instinto.
Olha diretamente nos olhos de Zaio.
Dante — Você luta pensando.
Faz uma pequena pausa.
Dante — E é justamente isso que torna um humano perigoso.
Zaio permanece em silêncio, absorvendo aquelas palavras. Então abre um sorriso animado e se levanta de um pulo.
Zaio — Então tá!
Ele aponta para Dante.
Zaio — Quero revanche!
Dante ergue uma sobrancelha.
Zaio — E, se eu ganhar...
Cruza os braços.
Zaio — Você para de me chamar de pirralho.
Dante sorri de canto.
Dante — Hm...
Ele assume novamente a posição de luta.
Dante — Eu penso no seu caso.
