Ferox Cap. 16
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Ferox

Capítulo 16 — 16-Novitii

Marie abre a porta e encontra Axel e Dante do lado de fora. Axel a encara com um olhar preocupado.
Axel — O Zaio... ele realmente tá aí?
Marie apenas olha para dentro da casa e aponta para a varanda, onde Zaio está de pé, com um leve sorriso no rosto.
Axel — ZAIO!
Sem esperar resposta, Axel entra correndo e o abraça com força. Zaio segura um grito de dor por causa das queimaduras, mas retribui o abraço com os olhos marejados.
Zaio — Eu... tô bem... agora me solta, por favor...
Axel o solta imediatamente e dá uma risadinha tímida.
Axel — Ah... foi mal.
Dante entra logo atrás e vai direto ao assunto.
Dante — Me diz, garoto... o que aconteceu lá?
Zaio engole em seco antes de responder.
Zaio — Eu... tive que matar ela.
Dante abaixa levemente a cabeça, mas logo recupera a postura séria.
Dante — Descobriu alguma coisa? Algum motivo pra ela ter feito tudo aquilo?
Zaio balança a cabeça negativamente.
Zaio — Nada muito relevante... Ela só falou uma coisa...
Dante — O quê?
Zaio — Disse que... "ela está no topo".
Dante franze a testa.
Dante — "Ela está no topo"... Como assim?
Zaio — Sei lá... eu também não entendi.
Axel cruza os braços, pensativo.
Axel — Talvez seja uma organização.
Marie complementa:
Marie — Ou alguma pessoa muito poderosa.
Dante escuta as duas hipóteses e suspira.
Dante — As possibilidades são muitas... Mas, por enquanto, vamos respirar um pouco. Nosso garoto fera precisa descansar.
Zaio sorri discretamente e começa a caminhar em direção à saída. Dante o acompanha.
Dante — Vamos logo, pirralho. Você precisa tomar um banho e trocar de roupa. Tá parecendo um cachorro de rua.
Zaio resmunga.
Zaio — Valeu por ter vindo, mano... Te devo uma.
Axel sorri.
Axel — Eu sei que deve.
Zaio olha para Marie, que tenta esconder um sorriso.
Marie — E é bom agradecer a mim também... E depois devolver a camisa do meu pai, seu idiota.
Zaio ri de leve.
Zaio — Valeu, gótica chata... E, se eu lembrar, eu devolvo.
Zaio e Dante entram no carro e vão embora. Axel e Marie ficam observando o veículo desaparecer pela rua.
Axel sorri de canto.
Axel — Ele te chamou de "gótica chata".
Marie suspira.
Marie — Chamou.
Axel — E você sorriu.
Marie arregala os olhos imediatamente.
Marie — Eu não sorri!
Axel — Sorriu sim.
Marie — Cala a boca, Axel!
Dentro do carro, Zaio permanece olhando pela janela, completamente perdido em pensamentos. Dante percebe o silêncio e tenta puxar assunto, embora sua voz ainda carregue um peso inevitável.
Dante — Como é a sensação?
Zaio parece voltar à realidade.
Zaio — Que sensação?
Dante pensa por um instante antes de responder.
Dante — Tirar a vida de alguém que você conhecia.
Zaio permanece em silêncio por alguns segundos.
Zaio — ...Eu não sei explicar.
Ele encara a paisagem passando pela janela.
Zaio — É vazio.
Faz uma pequena pausa.
Zaio — Como se ela tivesse virado só mais um inimigo... Como um animal matando outro pra sobreviver.
Dante continua dirigindo, sem tirar os olhos da estrada.
Dante — Eu também já passei por isso... E você sabe.
Zaio olha para ele.
Dante — Quando o Robert morreu... eu também fiquei me perguntando se tinha feito a coisa certa.
Ele aperta levemente o volante.
Dante — Depois eu entendi uma coisa.
Zaio — O quê?
Dante — Eu não escolhi matar ele.
Sua voz fica mais firme.
Dante — Foi ele quem escolheu tentar me matar primeiro.
O silêncio toma conta do carro por alguns segundos.
Dante — Às vezes... sobreviver também machuca.
Zaio abaixa a cabeça, refletindo sobre aquelas palavras.
Zaio — ...Obrigado, Dante.
Algum tempo depois, os dois chegam em casa.
Dante — Vai tomar um banho logo. Enquanto isso eu faço alguma gororoba pra gente almoçar. Você tá horrível.
Zaio revira os olhos.
Zaio — Depois do que aconteceu ontem, você queria que eu chegasse cheirando a lavanda?
Dante apenas ri enquanto entra na cozinha.
Zaio entra no banheiro e fecha a porta.
Assim que a água começa a cair sobre seu corpo, ele sente as queimaduras arderem outra vez.
Permanece alguns segundos imóvel.
Depois olha para o próprio reflexo no espelho.
Franze a testa.
Passa a mão lentamente pelo braço.
Os músculos pareciam mais definidos.
Passa a mão pelo peito.
Pelo abdômen.
Tudo parecia... diferente.
Ele se afasta um pouco do espelho.
Olha o próprio corpo de lado.
Zaio — ...
Caminha até a porta do banheiro e compara sua altura com uma marca antiga na madeira.
Seus olhos se estreitam.
Zaio — Eu...
Volta rapidamente até o espelho.
Passa novamente a mão pelos ombros.
Pelos braços.
Zaio — Eu cresci...?
Seu coração acelera.
Por alguns segundos, apenas encara o próprio reflexo.
Então balança a cabeça lentamente.
Zaio — Não...
Ele fecha a torneira.
Continua olhando para si mesmo.
Zaio — Isso não foi por causa dos treinos do Dante...
[Corte]
Atena caminhava pelos corredores da empresa ao lado de seu assistente, que anotava tudo em uma prancheta.
Sem tirar os olhos do caminho, ela abriu um leve sorriso.
Atena — Então... o portador do Predatory Core sobreviveu ao meu plano.
Ela fez uma breve pausa.
Atena — Admito... ele é mais resistente do que eu imaginei.
Os dois pararam diante de uma porta protegida por senha. Após digitá-la, a porta se abriu.
Do outro lado havia um enorme laboratório, tomado por cientistas trabalhando em silêncio.
Atena passou por todos eles até parar diante de um homem alto, extremamente musculoso. Uma cicatriz atravessava seu peito de cima a baixo, enquanto um sorriso largo e perturbador permanecia estampado em seu rosto, tornando sua presença ainda mais intimidadora.
Atena o encarou por alguns segundos.
Então sorriu.
Atena — Mas... isso não vai durar muito.