Capa de Crônicas de Kanh

Crônicas de Kanh

Capítulo 6 — Quatro

Capítulo 4

Havia algo de errado.

Olhando para o “quadro de missões” no centro da Floresta, 001 tem um péssimo pressentimento.

Entre os vários papeis de missões que Golem recebeu, o desenho de uma jovem loira está com um X vermelho em sua face. Seu nome era Laissa, filha de um Nobre Ascendido, chamado de Taylor.

Era uma missão de sequestro. Sua dor de cabeça piorava somente de pensar nisso. Das missões da Floresta, existiam algumas piores que outras.

Os seus caninos crescem, reagindo ao seu dom conforme os punhos fecham. 001 queria ter ido no lugar de 050, mas não teve permissão de Golem.

Levando as mãos até suas orelhas pontiagudas, o incômodo apenas cresce ao pensar no garoto. “Algo está errado, algo está muito errado.” Sua mente repete pela milésima vez no dia.

Seu dom, ainda um mistério, grita dentro do núcleo.

Estava tentando alertá-la de um perigo.

Sua aura, espalhando-se pelo local feito uma névoa, atrai a atenção dos membros da Floresta. Estava nervosa, instável. Seus olhos voltam-se a eles, seus corpos enrijecerem e, desviando a atenção, saem de perto.

001 respira fundo. Seus sentimentos e preocupações estavam a mil. Sentia-se ameaçada. Quase em estado de sobrevivência. A jovem coça a cabeça, não sabendo lidar com aquilo. Precisava agir. Caso contrário, enlouqueceria.

050 está com a magia de teleporte pronta. Ele iria ser levado a pedra caso algo acontecesse. “Alguma coisa definitivamente vai acontecer.” Uma veia saltou no seu rosto. Os caninos, grandes a ponto de saírem da boca fechada, reagem ao seu dom, corroendo sua razão ao fazê-la querer ir atrás do jovem.

-Merda! -Ela dispara em direção ao seu dormitório. Iria para a rocha e esperar lá. Temia matar alguém se continuasse ali.

Passando por outros grupos da Floresta, como assassinos e magos, eles saem da frente dela ao cochichar, apenas aumentando sua raiva. Definitivamente iria matar alguém naquele ritmo.

Passando perto da gigante estrutura metálica, chamada de Torre, seus olhos se encontram com os de uma mulher, rapidamente fechando a cara ao vê-la.

Era a arquimaga. Usando um vestido branco, um colar de pérolas e brincos, algo reservado somente a ela, sua simples presença faz 001 mudar seu caminho. Aquela mulher de pele branca era um problema que não compensava no momento.

Como Golem e a Elite estavam em missão, a liderança do local estava nas mãos dela. Isso significava: Qualquer encarada diferente terminaria em problemas.

Mudando a rota, dando a volta na maldita Torre, o local onde os Numerados eram rastreados e monitorados, ela segue pela esquerda ao invés da direita, não encontra ninguém ali. Isso facilitava as coisas.

Estava um pouco preocupada com 004, o ruivo. Não o via já há um tempo. Se estivesse correta, ele estaria nos projetos de energia da Floresta e a sua amiga, 003, estaria na pedra ou estaria com os “novatos” da Floresta.

“Amiga.” A jovem para de andar, enrijecendo. Um gosto amargo tomava sua boca.

“Eu já a chamei de amiga?” Sua mente acelerava. As imagens de quando estavam juntas eram acompanhadas sempre por… Silêncio, ao menos de sua parte. A loira sempre foi de falar muito, assim como 004, o ruivo. Eles arrastavam 050 para as conversas estranhas e, muitas vezes, duvidosas.

Sempre se divertia com os tópicos, como bonés, espadas, manifestações de seus dons… Até como 050 conseguia flutuar de cabeça para baixo, um feio incrível, mas que rapidamente virou piada após 004 perguntar se ele estava nadando no ar.

“Eu já disse para eles que me divertia?” Olhando para as próprias mãos, de alguma forma diferentes, sua consciência parecia mudar. “Eu… Já disse algo?” Ela estava lá. Achava as coisas engraçadas, mas não demonstrava. Queria perguntar mais sobre eles e, sempre ficava quieta.

Sua mente volta-se a 050, alguém próximo dela desde sua chegada na Floresta. Não… Não havia conversado com ele sobre nada. Comida, gostos, roupas ou… Ou qualquer outra coisa. As únicas vezes que conversaram foram para treinar… Apesar de apreciar esses momentos, era o suficiente?

Seu coração aperta. Se ele morresse, esses momentos seriam o suficiente?

A boca de 001 fica seca. Caso qualquer um deles morresse, ela se arrependeria?

Se arrependeria de ter ficado tão quieta?

“Minha mente está me enganando?” Acelerando os passos, o ritmo de seu coração acompanha os pensamentos, bombardeando-a de lembranças. “Desde os treinamentos, as missões, os intervalos ou as brigas, eu realmente não conversei com eles sobre nada?”

Entrando no edifício dos Numerados, similar a uma casa de concreto, ela passa direto pelos quartos, indo para o último ao abrir as mãos, preparando-se para ocultar sua presença da Numeração em seu pescoço antes de seguir em direção a rocha.

Então, 001 sente alguém ali.

Seu foco voltou-se ao homem sentado na própria cama. Um misto de surpresa, alegria e, preocupação, toma-o, sentindo a alteração dela apenas em sua aura. A sua face permanece inexpressiva.

-Você está nervosa. -A tatuagem, 002, brilha em um forte vermelho no pescoço dele. Qualquer outro Numerado sentiria-se em perigo caso falasse assim com ela.

Mas, ele não.

A líder não responde. Os dois se encaram durante alguns segundos, quase como se estivessem… Conversando. De alguma forma, 002 tem uma ideia do que pode ser.

-É por causa de 050?

Pela primeira vez na vida do homem, ele vê 001 reagir. Piscando algumas vezes, a leve contração de sua boca e, desviando o olhar, a líder tenta se recompor. Sua mente foca no local, onde há cinco quartos. O seu era o último e a rota até a rocha passava por lá.

Olhar para os quartos trazia um peso em seus olhos. Todos ali lutaram para se protegerem durante a difícil vida na Floresta. Muitas vezes apanharam dos superiores, foram torturados e drogados, usados como ratos de laboratórios e… Mesmo que eles tenham tido uma conexão de grupo, alguma daquelas conexões foi consciente?

Ela tinha a certeza da conexão de 003 e 004, sempre muito próximos, sempre conversando e se auxiliando. Tanto a loira quanto o ruivo puxavam conversa, brincavam, lutavam, ambos tinham iniciativa.

Diferente dela.

“Eu estou enlouquecendo. Não, já enlouqueci.”

Sua preocupação transforma-se em raiva. 001 cerra os dentes, sentindo que iria explodir. Seus olhos, agora desfiando em fios, fazem 002 se levantar, coçando as mãos conforme esperava qualquer fala da líder ou alguma retaliação pela pergunta, apesar dela nunca ter feito isso.

-Tem… Algo de errado. -Sua voz, fraca, faz os pelos do homem arrepiarem. -Minha cabeça está… A mil. Estou tendo visões. Pode ser um efeito das drogas, pode ser lembranças… Pode ser uma alucinação. Nunca havia pensado o que estou pensando e, do nada, estou aqui pensando se já iniciei uma conversa. Se já procurei alguém, se já disse… Se já disse que me importo.

A dor em seu peito piora. Sua feição, já não tão inexpressiva, desmonta ao contorcer. Era como se estivesse uma faca em suas costas.

002 trava. Ele não sabe se deveria falar, aproximar-se ou afastar-se.

-Eu estou preocupada com 050. -As palavras saem rasgadas. -Eu estou com medo.

002 estremece, piscando algumas vezes. Ele não esperava por aquilo, nem em mil anos.

Um longo silêncio se instaura ali, deixando as palavras ecoarem conforme as visões trazem a silhueta de uma criança, rindo, com os braços estendidos a ela.

Ela não sabia quem era aquela pessoa. Mas, de alguma forma, sentia que morreria por ela.

Por quê a lembrança daquela criança estava vindo ao pensar em 050?

-002. -Com seu dom gritando, 001 de alguma forma consegue olhar o assassino nos olhos. Não sabia se deveria fazer isso, mas precisava perguntar. -Você morreria por um Numerado?

***

A vice-líder anda de um lado para o outro, ansiosa. Seus pensamentos giram em torno de seu companheiro. Com a ponta de seu dedão sangrando após tantas mordidas, seu coração ameaça explodir enquanto mantém o foco na enorme pedra na floresta.

A loira estava ali o dia inteiro. Não comeu e nem bebeu nada durante esse tempo.

A sua esquerda, escorada numa árvore, 001 parece se misturar com as sombras. Seus olhos estão fechados, sua pele escura mal pode ser vista junto de seu cabelo preto e ondulado.

Estava tão nervosa que mal conseguia olhar para a loira. Havia muitas coisas em sua mente. 002 e 050 não saiam de sua cabeça. Esse pressentimento maldito trazia consigo uma ideia que, quanto mais pensava nela, mais pensava que era suicida.

Se 050 vier com o teleporte, ele não pode ficar na Floresta.

Aprender magias era proibido e a punição era severa. Agora, aprender uma magia roubada da arquimaga, com a falha de um Numerado, provavelmente terminaria em Golem executando 050.

Pensar nisso apenas a deixava ainda mais agoniada.

As silhuetas retornam. O mesmo garoto agora estava em um balanço. Uma jovem aproxima-se, ainda mais borrada que ele e, seu sorriso, faz o coração da assassina apertar.

Ela… Também era alguém importante. “É alguém de antes da Floresta?” O simples pensamento faz seu corpo reagir, expressando uma dor muito além da dor física.

Sem ter a chance de entender o que estava sentindo, a espécie de memória borrada desaparece com a visão de sua amiga preocupada diante de si, parada, vidrada a magia que, sendo ativada, faz o coração das duas disparar.

A atenção da líder volta à pedra, azul, transformando-se em fios. Eles rodam no próprio ar. Um portal é feito, materializando o “teletransporte”.

003 morde com ainda mais força seu dedão, fazendo o sangue escorrer pelo seu queixo. 001 desencosta da árvore e abre os punhos ao se preparar para o que está por vir.

050 cai dele, inconsciente e tomado por ondas de eletricidade.

003 reage imediatamente junto de 001. Em um salto, a loira agarra-o ainda no ar. A eletricidade é dissipada em um único movimento das mãos de 001, pondo-se entre a dupla de Numerados e a dupla de homens no portal.

O homem de pele parda e olhos vermelhos, com uma enorme ferida no peitoral definitivamente não era o responsável por aquilo. Aquele era Tobias. O loiro, também a encarando, exala eletricidade.

Ele era o responsável.

O portal fecha-se. A oscilação na aura de 003 faz 001 voltar o foco para a situação e, encarando as marcas de queimadura de gelo e eletricidade pelo corpo de 050, principalmente no lado direito de seu rosto, o pressentimento ruim concretizava-se em um vômito de sangue do garoto, despertando.

-050!? -003 tenta dar um apoio ao Numerado, oscilando entre a consciência e a inconsciência. A loira cerra os dentes, vendo o quão profundo as feridas eram. -Ei! Não desmaie, vamos te ajudar!

O núcleo dele falha. Sua aura, descontrolada, aumenta suas feridas. Ele estava colapsando por dentro.

“Ele vai morrer.” O pensamento transpassa as duas.

O ar parece ficar mais pesado. 001 não reage. 003 tenta estabilizar o fluxo de aura do jovem enquanto o tempo parece desacelerar.

“Ele vai morrer.” Seu dom grita.

A simples ideia de algum deles morrer era… Era inaceitável.

A ideia de 050 morrer era inaceitável.

Uma chave parece girar em sua mente. A dor desaparece. Os já grandes caninos tremem com sua aura, reagindo a seu dom conforme os pensamentos se alinham a uma única coisa: Salvar 050.

“Os Numerados que conseguiriam ajudar a estabilizar ele estão em missão.” As pupilas parecem desmanchar em fios, os pelos de 003 levantam-se conforme o chão reagiu à mudança na aura. “Ele precisa de tratamento. Agora.”

A única solução era o hospital na Floresta. Com certeza algum médico ou medicamento lá conseguiria estabilizar sua situação…

-Elixires. -A fala atrai a atenção de 003. “Eles são bebidas caras com um poder regenerativo absurdo, elas com certeza estabilizaram o corpo dele. Sequer precisaria de um médico com um elixir.”

-Elixires? Você roubou um? -A pergunta, válida, não é respondida por 001, muito focada nos próprios pensamentos. Apesar dela ter o costume de roubar coisas da Floresta, nunca havia conseguido roubar um elixir.

Eles estavam em posse de Golem, o chefe da Floresta, que não estava lá. Seus subordinados principais, os Elites, também não estavam lá. A autoridade no momento era a arquimaga e ela definitivamente não permitiria o uso de um elixir.

Mesmo que Numerados sejam o grupo de assassinos de maior nível na Floresta, 050 era o mais fraco deles.

Além de ter falhado, ele teria retornado por uma magia.

Duas infrações. A retaliação seria máxima. O matariam.

“Se eu tentar entrar lá, vão atacar para me matar. Podem matar outro Numerado para me impedir.” A respiração de 050 começa a falhar. 003 começa a perder a postura, também tentando pensar em algo.

Ele iria morrer naquele ritmo.

Ela precisava agir.

Não havia outra opção. Ou era um elixir, ou era 050.

-003, me entregue ele. -A líder, abaixando ao tomá-lo dos braços de 003, somente processando o que acabou de ouvir quando a jovem já estava indo para a Floresta. -Não me siga. Vou roubar um elixir.

-Que!? Vai invadir o Hospital!? -A loira mal tem tempo para pensar. Indo atrás mais por reflexo do que por concordar, o desespero a toma. -Eles vão executar ele por isso! Isso… Isso é somar três infrações!

-Não importa. Eu vou entrar naquele hospital e vou sair de lá com 050 vivo. Depois disso iremos fugir da Floresta. -A decisão, totalmente contra sua natureza, fazia sua cabeça doer muito. Odiava fazer as coisas sem planejamento. Porém, sair dali sem 050 era inaceitável. -Convoque os Numerados. Iremos fazer isso hoje.

001 preferia matar todos da Floresta do que sair sem um Numerado.

003 põe ambas as mãos na cabeça, sentindo o próprio coração bater tão forte que ameaça falhar. Uma declaração clara de fuga.

O plano de fuga que 001 havia montado durante os últimos cinco anos estava sendo acelerado, não, ele estava sendo jogado pela janela. Eles deveriam se preparar mais, havia outros problemas a se preocuparem.

Principalmente pelo fato de Golem conseguir rastrear suas posições.

A líder não dava a mínima para nada disso.

Os guardas do local arregalam os olhos ao vê-la surgir da mata com o jovem nos braços, indo em linha reta para a área médica. 003 tenta pensar loucamente numa forma de se preparar para o que estava por vir. Precisava se preparar para o pior cenário.

Sua mente focava nos Numerados, em sua maioria leais a 001. Deveria obedecer a ordem e chamá-los para a repentina fuga? Deveria ir atrás dos que confiava primeiro? Seus dentes cerram. Precisava de alguma forma contatar todos os Numerados presentes.

Na pior das hipóteses, ela faria questão de matar todos na Floresta.

Já pensando em como faria a magia de teleporte em grande escala, 003 dispara a correr para onde sabia que alguns Numerados estavam enquanto, pondo-se no caminho de 001 e a área médica, um jovem ruivo fecha a cara ao ver seu colega ferido.

Carregando uma espada, as íris escuras fitam a líder ao exalar energia por sua pele branca e armadura escura, obrigando-a a parar.

-O que significa isso!? -A revolta dele não abala a sua firme expressão. Guardas e cavaleiros começam a mobilizar-se, cercando-a enquanto murmuram. Obviamente a reconheciam e, mesmo sabendo que deveriam agir, não tinham coragem. Quem entraria na frente de um assassino de elite com aquela cara? Outro assassino de elite, claro. -001, entrar na área médica sem permissão é um problema imenso para nós! E como 050 está aqui e como acabou assim!? Ele não estava em uma missão!?

-Eu usei uma magia e trouxe ele de volta. -A resposta faz o ruivo dar um passo para trás. Seu semblante, revoltado, dá lugar a incredulidade. Todos ao redor trocam olhares, perguntando uns aos outros se realmente ouviram certo. -E agora eu irei entrar naquele hospital e pegar todos os elixires necessários para salvar ele. Depois disso, vou teleportar todos os Numerados para longe. Alguma outra pergunta, 004?

Os homens em volta dela calam-se, sentindo a aura da jovem surgir. Não de forma ameaçadora, nem intensa, ou mesmo agressiva. A força surge em uma brisa, arrepiando suas peles conforme alastra-se pelo local, como uma imensa neblina.

Todos ali sabem o quão perigosos são os Numerados.

A líder deles não era diferente. Pelo contrário, era ainda pior.

-Eu espero não precisar passar por cima de você, 004. -Não havia tempo para conversa. Se 004 fosse a impedir, iria considerá-lo um traidor e passaria por cima dele. Pensar nisso faz seu coração doer.

Ele trairia os Numerados?

Seus músculos contraem. Precisaria matá-lo?

Então, o ruivo ri.

Sua risada não é de deboche, muito menos de raiva. Ela é sincera, como se… Aquilo fosse engraçado, extremamente engraçado.

-E eu faria isso? Minha lealdade é somente a você, líder. -Ele declara, imbuindo a espada em aura conforme as placas negras brilham em vermelho. -Finalmente vamos mandar esse local pro inferno!?

-Você não pode estar falando sério! -Um dos cavaleiros toma a frente, levando a mão até a espada em sua bainha. -Vocês são Numerados mas isso é passível de morte! V…

-Calado! -A força do ruivo atravessa o local em estrondos, tingindo a região de vermelho ao calar a boca do cavaleiro, travando diante da enorme representação de um dragão, ficando de pé com as asas abertas. -Quem abrir a boca, além dela, vai perder um braço!

Silêncio. Eles sequer ousam se mexer, tremendo diante da manifestação da habilidade daquele assassino, sorrindo para 001, voltando a andar em sua direção, até passá-lo antes de seguir para o prédio.

-Iremos. -A confirmação obriga uma reação do grupo.

-Isso é um motim! -O cavaleiro que havia falado antes agarra sua espada e, chamas atravessam-no, lançando seu braço esquerdo junto da arma pelo ar.

O homem berra ao levar a outra mão até o ferimento. As chamas vindas do ruivo condensam-se à sua volta antes de irem à boca do dragão.

O jovem estala os dedos e a enorme criatura dispara contra o cavaleiro.

A explosão transforma o alvo e os cavaleiros pertos em cinza, vaporizando tudo num raio de 5 metros.

O alarme da Floresta dispara. Os Cavaleiros gritam, alertando seus companheiros conforme preparam-se para avançar contra o Numerado.

-Assim que eu gosto! -O ruivo declara antes de sua criatura rugir, cravando ambas as garras no chão.

001 entra no hospital pela porta da frente, cortando-a como se fosse uma folha de papel. As outras magias de defesa da estrutura são ativadas. Outras portas surgem, tornando-se metálicas na sua materialização e, são partidas pelos fios, uma atrás da outra. As enfermeiras gritam alguma coisa que a invasora sequer se da ao trabalho de prestar atenção.

Ela tinha total ciência que ninguém ali consegue parar ela.

Os soldados internos começam a se mobilizar e a última magia de defesa é rompida em um chute, revelando-a em meio aos fios, com mais aura concentrada em cada um do que eles possuíam no total.

-Quem não quiser ter problemas, não entre no meu caminho. -001 segue a andar em linha reta até o armazém, passando pelas enfermeiras nos corredores, soldados e feridos sem se preocupar em desviar de nenhum deles que saiam da frente quase que imediatamente.

Vendo a enorme placa sobre uma sala fechada, “ARMAZÉM”, a porta é destruída em um único chute. Se arrependendo um pouco daquilo ao vê-la bater com tudo no chão e os vários armários mágicos tremerem, tremendo algum dano aos elixires, seus olhos procuram por algo que ela sequer tinha ciência do que era.

Havia muitas coisas ali, muitas poções e magias embutidas em papel, apenas esperando para serem ativadas. Tinha ciência do poder dos elixires, apesar deles não funcionarem nela.

Como saberia qual é o melhor elixir para o Numerado? Deveria obrigar um médico a escolher um? Não, ele definitivamente envenenaria 050. E se sua escolha piorasse a situação dele?

Colocado gentilmente 050 no chão, apoiando as costas dele na parede ao sentá-lo, ela decide confiar em seu dom antes de encarar o soldado parado na entrada do armazém.

-Pare… Pare já! -A numerada reconhecia o homem. Era um dos espancadores dos novatos. Quando havia entrado ali, também tinha apanhado para ele. Contudo, depois de sua ascensão e de ter arrancado um braço e um olho de um Elite que bateu em 050, ele havia se afastado.

O medo dominava seu semblante. O homem sabia que se não fizesse nada, sua punição seria imensa. Então, mesmo com medo, o cabo da espada dele é segurado na própria cintura.

Sua cabeça atinge o solo.

Silêncio. Os outros soldados perdem o ar, observando o corpo do companheiro cair de uma vez no solo, sequer tendo tempo de reagir.

Eles levam as mãos até suas armas. Linhas irrompem por todo o local como se uma cama de gato estivesse sendo desfeita.

A magia atravessa toda a estrutura do hospital.

Armas, armaduras e concreto são partidos nos movimentos em um intervalo de dois segundos, desviando das enfermeiras e feridos antes de retornarem para a Numerada.

No instante seguinte, os pedaços dos guardas caem por todo hospital.

O local é tomado pelos gritos das enfermeiras. Os médicos tremem, afastando-se conforme o olhar de 001 procura outro guarda, não achando mais nenhum vivo.

-Certo, agora… Qual desses tem um elixir de alta qualidade?