
Ferox
Capítulo 8 — 8-Consilia
Era apenas mais um dia comum de sol. Sábado, 9 horas da manhã, e um carro cruzava as terras calmas e pacatas do interior. Dentro do carro estavam Axel, Ajax, Minerva e Marie.
Depois de alguns minutos, o carro para na frente da casa de Dante. Os quatro descem, e Axel bate na porta.
— Axel: Tio! Chegamos!
Dante abre a porta.
— Dante: E lá vem a cambada de pirralhos... entrem. O Zaio tá lá no fundo, no treino dele...
Os quatro vão até os fundos da casa e encontram Zaio amarrado de ponta-cabeça em um pé de coco. Zaio olha para eles e aponta gritando:
— Zaio: COMO ISSO AQUI VAI ME SER ÚTIL, DANTE?!
Dante joga uma faca na corda que segurava Zaio, e ele cai no chão.
— Dante: Treino de resistência, ué. Não é óbvio?
Zaio coça a cabeça depois da queda.
— Zaio: CLARO QUE NÃO!
Zaio olha para os amigos ali reunidos.
— Zaio: Nossa... vocês realmente vieram me ver... O Axel já contou pra vocês, imagino...
— Marie: É, pois é... foda. Bem, você já tem cara de zumbi mesmo, então não muda nada.
— Zaio: Vai se fuder.
Zaio se levanta.
— Zaio: Bem, se vocês estão aqui, já sabem o que eu planejo, né?
Ajax o olha com dúvida.
— Ajax: Bem... ainda não entendi direito. Você mandando áudio parece um gago...
— Zaio: É simples, porra... eu vou andar pela rua esperando aqueles caras aparecerem. Aí eu viro bicho, a gente sequestra um deles e descobre um jeito de tirar isso de mim.
Axel coça a cabeça e fala arrastado:
— Axel: Ainda acho esse plano idiota e arriscado... mas é o que temos, né? Dá pro gasto. Só que meio que você vai ter que andar sozinho pela rua. Nós cinco vamos ficar lá na casa da tia do Ajax olhando.
Zaio suspira.
— Zaio: Eu sei... só espero que dê certo... viver com alguém que escuta rock o dia inteiro no talo não dá...
Dante apenas sorri enquanto gira a chave do carro nos dedos.
[...]
Em outro lugar.
Atena, sentada em sua mesa, observa os laboratórios. Dentro de um enorme aquário há apenas a sombra de uma garota.
Atena olha para o cientista responsável pelo experimento e diz friamente:
— Atena: Essa é minha última esperança para matar o portador... se nem ela conseguir, então eu mesma vou arrancar o Predatory Core dele.
[...]
Na cidade novamente.
Zaio anda esperando que seu plano funcione, mas nada acontece. Ele passa por bairros nobres, bairros simples, praças... e nada.
Cansado, se senta em um banco de praça e observa algumas crianças brincando.
— Zaio: Nossa... e pensar que eu já fui assim... e olha como eu tô agora... Nem sei se ainda sou eu mesmo. Eu só espero conseguir tirar isso de mim... eu quero viver normalmente, terminar o colégio, ir pra faculdade, trabalhar... eu só quero ser normal igual todo mundo, não uma arma ambulante...
Logo depois, Marie chega andando lentamente e fala olhando para ele:
— Marie: Hey, idiota... vamos almoçar. Tá bom por hoje, você tá andando desde as dez, cara...
Zaio olha para ela, ainda pensativo.
— Zaio: Já tô indo... eu só tava refletindo sobre umas coisas, sabe?
Marie o olha confusa, se senta ao lado dele e diz:
— Marie: Desabafa comigo. Do jeito que você é, até hoje não falou como tá sua cabeça depois disso tudo acontecendo tão rápido...
Zaio olha para frente e responde, meio ansioso:
— Zaio: Eu tô com medo, sabe?... Vai que eu nunca mais volto a ser um humano normal de novo... sei lá... perder a vida comum de alguém da minha idade por algo que nem foi culpa minha... eu não quero viver sozinho...
Marie dá um leve peteleco na testa dele.
— Marie: Seu idiota... você não tá sozinho. Mesmo que a situação seja horrível, você ainda tem a mim, o Axel... até o Ajax, aquele cabeça dura, vai te ajudar se você precisar.
Zaio olha para ela e dá um pequeno sorriso, agora um pouco mais calmo.
— Zaio: É... talvez você esteja certa. Obrigado... agora vamos logo porque eu tô com uma fome da porra...
Marie ri, e os dois vão embora em direção à casa da tia do Ajax.
[...]
No outro dia, no colégio.
Axel e Marie estão sentados conversando na sala até que alguém novo entra. O professor bate palmas e fala em bom tom:
— Professor: Gente! Essa aqui é a aluna nova. Sejam legais com ela
A garota olha todos ali e diz se apresentando a todos
— Cypsa-Olá todos me chamo Cypsa, e um prazer!
