
I Was Reborn in Another World as A Fire Elemental
Capítulo 2 — E Agora?
Ser honesto… Tudo bem, eu consigo, mas…
Será que conto tudo?
Se sim… Ele vai acreditar?
A questão não é só acreditar ou não…
É se é seguro contar tudo.
Eu não sei como os indivíduos desse mundo reagiriam à um reencarnado.
Talvez me tratem normalmente. Talvez como uma ameaça.
Então, eu não posso contar a parte que eu reencarnei.
Mas e se ele percebe que estou escondendo algo dele?
Os olhos dele me encaram tão profundamente, de forma tão ameaçadora, que sinto que ele é capaz de ver através de mim…
Estou pensando demais nisso.
Ele me deu apenas cinco minutos. Não posso gastar esse tempo apenas pensando.
Por onde começo…
Eu tenho que tomar muito cuidado com o que vou dizer agora.
– Senhor, eu nasci há pouco tempo. Minhas chamas estavam fortes e brilhantes, mas, depois de um tempo, senti que elas estavam mais fracas e quase se apagando.
O encaro diretamente. Parece que ele está ouvindo pacientemente. Ótimo.
– Foi então que senti a necessidade de me alimentar de almas. O que me manteve aceso por mais tempo. Quando encontrei aquela aranha, pensei que ela daria uma boa refeição. Eu a ataquei sem pensar nas consequências. Quando percebi, as árvores e a grama estavam em chamas. Me perdoe.
Pronto. Agora é só esperar…
– Hmm…
Depois disso, silêncio.
Eu estou morto.
– Quer dizer que você só estava fazendo isso para sobreviver?
Ele compreendeu minha situação?
Ufa…
– Sim, senhor. O incêndio foi um acidente por conta do meu descuido. Mais uma vez, minhas sinceras desculpas.
– Está tudo bem, pequeno espírito flamejante. Na verdade, eu também tenho que te pedir desculpas.
Hmm?
Então, a aura ameaçadora foi lentamente diminuindo, junto com à sombra que cobria todo seu corpo, revelando que ele é… um velhote?
Sua pele é um verde-pálido. Sua cabeça e rosto são cobertos por longos cabelos, barba e sobrancelhas feitas de grama.
Ele também veste o que parece ser uma túnica feita de musgo florido. Em sua mão, ele carrega um galho que usa como bastão de apoio.
As rugas em sua pele e seus olhos entreabertos entregam sua idade avançada. Não vou me atrever a perguntar a idade dele.
– Perdão, meu jovem por ter feito chover em cima de você. Eu quase o matei sem saber da sua situação.
Sua voz, antes ameaçadora, agora parece tranquila e amigável. Até a sua aura ficou leve e verde…
Espera… Como ele fez isso?
Eu pensei que as auras definiam o comportamento de um ser. Será que eu estava errado?
Provavelmente.
Talvez a aura só defina a intenção do ser.
Preciso descobrir.
– Está tudo bem?
– Ah, sim. Eu só estava pensativo.
– Entendo. Como você é um espírito recém nascido, tenho certeza que tem muitas dúvidas.
– Com certeza.
– Que tal recomeçamos do zero?
– Por mim, tudo bem.
– Nesse caso, vou começar me apresentando.
Um sorriso gentil e alegre se formou no rosto dele.
– Me chamo Moryn. Sou um leshy, um espírito assim como você.
Ele faz uma breve pausa.
– Sou guardião e protetor desse pântano… Embora outros da minha espécie protejam florestas.
Ele dá uma breve risada rouca.
– E você, pequeno espírito flamejante? Você tem um nome?
…
– Você pode me dar um tempo para pensar em um?
– Claro, meu jovem. Tenha seu tempo.
Um nome…
Vejamos…
Obviamente “Fire” está fora de questão.
Hmm…
Ignis, Pyro, Flame…
Não.
Spark?
Não.
Vergonhoso.
Talvez algo épico e intimidador…
Agni, Hefesto, Surtr, Amaterasu…
Hmmm….
Tentador, mas não.
Talvez uma reverência otaku?
Deixa eu ver…
Ace, Natsu, Escanor, Rengoku, Ifrit…
…
Definitivamente não.
Pense, pense, pense…
Sou ardente e brilhante… Com certeza chamo muita atenção. Principalmente à noite…
Noite…
Estrelas…
Como se chama mesmo a estrela mais brilhante do céu noturno?
…
Lembrei. Esse vai servir. Acho que é um bom nome.
– Sirius. Pode me chamar de Sirius.
– Sirius não é? Hmm… Nome interessante. Prazer em conhecê-lo, Sirius.
– Igualmente.
– Vejamos… por onde eu começo?
Com a mão livre, ele começou a esfregar a própria barba de grama.
– Que tal começar me contando que lugar é esse?
– Oooh, tem razão. Estamos no Grande Pântano de Myr.
– Myr? Quem é esse?
– Foi o primeiro guardião desse pântano. Veio a falecer há quinhentos anos atrás. Desde então, assumo o lugar dele.
Ele disse com grande pesar e tristeza na voz.
– Entendo… Existe algo além do pântano?
– Certamente, jovem Sirius. Há um vilarejo próximo, dois dias de caminhada. E, além dele, está o Reino de Eloria.
– O que você sabe sobre esse reino?
Ele passa a mão na barba, olhando para o nada de forma pensativa.
– Não sei de muita coisa. Só sei que ele foi erguido há mais ou menos, oitenta anos. Foi fundado por Eloria, a Lâmina Imparável.
– Uau, um título e tanto.
– Eloria era uma das poucas que recebeu o título de “Herói". Título esse que só se consegue com grandes feitos e reconhecimento público.
– Atualmente, existe alguém com o título de "Herói”?
– Não sei. Tudo o que sei é que muitos "Aventureiros” tentam alcançar esse título.
Aventureiros? Agora sim está parecendo um isekai.
– Aventureiros são pessoas que exploram, coletam e enfrentam diversos perigos. O Grande Pântano de Myr é o ponto de partida de muitos Aventureiros antes de viajarem mundo afora.
Espera. Esse pântano era para ser um tutorial? Então por quê parece que eu estou jogando no modo difícil? Isso não é justo.
– Alguma pergunta Sirius?
– Hmm, acho que não. Pelo menos nada relacionado a Eloria ou Aventureiros.
Tem mais alguma coisa que preciso saber?
– Você já descobriu sobre seu “Talento"?
– “Talento”?
– Então você ainda não percebeu. Bem, é algo natural que você perceberia com o tempo.
Ele faz uma pequena pausa, sua expressão facial parece pensativa.
– Talento é um dom natural que todo ser vivo carrega na alma. É uma predisposição que permite a alguém aprender ou executar determinada coisa com muito mais facilidade do que a maioria. Todo indivíduo possui pelo menos um Talento. Até mesmo você, Sirius.
– Sério? Qual?
– Seu Talento é a Absorção Espiritual, a capacidade de absorver almas e usá-las como fonte de poder e energia. Não só isso, você também é capaz de adquirir o Talento da alma absorvida.
– Incrível!
Será que é aqui que eu começo meu arco de evolução como protagonista da história?!
– Mas você só é capaz de absorver Talentos compatíveis com a sua natureza.
– Como assim?
– Vejamos… A aranha que você matou. A maioria das aranhas possui o Talento “Criação de Veneno". Como você é um ser espiritual, naturalmente, não é capaz de adquirir esse Talento.
– Até porque eu não tenho um corpo orgânico para produzir veneno…
– Exatamente. Você entendeu rápido.
E lá se vai minha jornada como protagonista…
– Mas você pode adquirir Talentos relacionados à magia e forças espirituais.
Bem, talvez ainda haja esperança.
– Os Talentos são divididos em cinco níveis: Primitivo, Adepto, Magistral, Excelente e Perfeito. O Talento de qualquer indivíduo começa no nível Primitivo. Através de treinamento, estudo e repetição, seu portador pode evoluí-lo.
– Então, eu consigo evoluir a Absorção Espiritual e os Talentos que conseguir?
– Não exatamente. Você consegue evoluir seu Talento principal apenas absorvendo almas. No entanto, os novos Talentos que adquirir sempre começarão no nível Primitivo. Para evoluí-los, você precisará absorver mais almas de indivíduos que possuam o mesmo Talento.
– Parece bem mais complicado do que imaginei…
Agora minhas esperanças de ser o protagonista da história caíram num abismo eterno.
– Perdão, jovem Sirius. É muita informação para você?
– Ainda preciso assimilar certas coisas. Muito obrigado pela informação.
– De nada, meu jovem. Se quiser saber mais, basta me chamar e irei surgir em minutos.
– Você não tem uma casa onde possa visitar?
Ele gargalha novamente.
– Ora, jovem Sirius, o pântano é a minha casa. Como você acha que te encontrei tão facilmente?
– Faz sentido. Não tinha pensado nisso.
– Bem, devo me retirar para exercer meus deveres de guardião. Além de que, eu não quero que você perca seu tempo conversando. Afinal, sua vida depende da caça a almas constantemente.
– Tem razão. Prometo não causar outro incêndio.
– Eu agradeceria se fizesse isso. Oh, na verdade, eu tenho uma missão para você, que vai beneficiar tanto você quanto o pântano.
– E qual seria essa missão?
– Eliminar alguns Musgos Carnívoros.
Musgo Carnívoro? Afinal, que tipo de mundo de fantasia eu vim parar?
– Como eles são e onde posso encontrá-los?
– Eles ficam espalhados pelo pântano. São muito parecidos com o musgo comum, mas você deve conseguir encontrá-los através da aura deles.
Ele esfrega a própria barba novamente.
– Normalmente, eles ajudam bastante, consumindo animais mortos ou em decomposição que encontram pelo caminho. Alguns, porém, desenvolvem uma tendência predatória, e esse é o problema. Alguns seres dessa espécie crescem demais e põe em risco a fauna local.
Ele olha para as árvores de forma pensativa.
– Já faz duas semanas que pedi ao Reino de Eloria enviar aventureiros para resolver esse problema, mas, até agora, ninguém apareceu. O que é estranho.
Ele me encara novamente.
– Bem, devo estar divagando demais sobre o assunto. Então, Sirius, aceita essa missão?
– Aceito. Assim posso retribuir pelas informações ao mesmo tempo que consigo mais combustível.
– Perfeito. Irei aparecer assim que eu tiver certeza que é o suficiente. Boa sorte e cuidado. Apesar de não serem sencientes, os Musgos Carnívoros conseguem detectar ameaças através da aura e costumam ser bem agressivos.
– Obrigado pelo aviso.
Nesse instante, o corpo de Moryn se transforma em raízes que se firmam no chão e atravessam o solo lamacento, desaparecendo completamente.
Então foi assim que ele apareceu tão de repente. Apesar de ser um velhote carismático, consegue ser assustador e cheio de surpresas.
Bem, hora da caça.
Começo a explorar o pântano, tomando cuidado para que minhas labaredas não queimem as folhas das árvores.
Poucos minutos depois, encontro um musgo com uma aura branca. Além disso, ele está claramente se mexendo. Parece que ele está se alimentando de uma carcaça de peixe.
O corpo do Musgo Carnívoro se espalha e envolve a carcaça, como se crescesse por cima do cadáver e o dominasse quase completamente.
Ele está consumindo o cadáver.
Hmm.
Vou poupar esse. Moryn disse que eles são importantes para a decomposição. Além disso, esse ainda é pequeno.
Continuo minha busca por mais alguns minutos.
Encontrei.
Esse é maior que o anterior. Sua aura é vermelha, e parece ocupado se alimentando de uma centopéia gigante que se debate pela vida. O corpo do Musgo Carnívoro cobre o corpo da sua vítima de forma mais rápida e agressiva.
Esse é meu alvo.
Disparo um dardo flamejante, maior do que os que disparei contra a aranha. Deve ser por causa da minha evolução.
O ataque atinge ambos em cheio, o fogo se espalhando rapidamente pelo corpo do Musgo Carnívoro que parece tentar recuar diante a dor, assim como a centopéia gigante, que se debate sem parar.
Decido finalizar usando meu lança-chamas, o fogo consumindo e abatendo ambos ao mesmo tempo.
Matei dois coelhos numa cajadada só.
Absorvo as duas almas e continuo minha busca.
Não demora muito para eu encontrar outro Musgo Carnívoro agindo como predador, desta vez tentando consumir uma aranha gigante.
Abato ambos sem dificuldade.
Usando minha capacidade de ver auras, consigo encontrar outros Musgos Carnívoros com facilidade. Parece que eles estão sempre ocupados consumindo algo.
Infelizmente, os mesmos não carregam memórias. Talvez seja pela falta de visão e audição. Acho que faz sentido.
As memórias das presas deles não são muito diferentes do que já estou acostumado. Só revelam mais pontos de referência do pântano, o que me ajuda a me orientar melhor.
Quanto tempo se passou desde que comecei essa caçada?
Já estou há um bom tempo procurando e abatendo Musgos Carnívoros. A tarefa está sendo tão fácil que é quase entediante.
Estou começando a achar que Moryn se preocupou à toa. Não tenho dúvidas de que o Musgo Carnívoro é uma espécie perigosa, mas está sendo extremamente fácil de lidar.
Ser feito de fogo tem suas vantagens.
De repente, ouço o som de um trovão vindo de longe.
Uma tempestade vem vindo?
Era só o que me faltava.
Olho para o céu. O clima está ensolarado.
Estranho.
Ouço novamente o mesmo som.
Tem alguma coisa errada. Vou investigar.
Voo seguindo a direção de onde veio o som. Não demora muito para que eu ouça o trovão novamente.
Está mais perto.
– Astrid! Cuidado!
É o grito de uma garota.
Curioso, decido me aproximar mais, até chegar perto de uma clareira com um pequeno lago.
Vejo três humanos lutando contra um… cavalo?
Não parece ser um cavalo qualquer, e não falo só dá aparência.
O corpo do “cavalo" é coberto por escamas esverdeadas. No lugar da crina, há uma nadadeira dorsal de peixe. E, invés de ter cauda de cavalo, tem a cauda de peixe.
Eu já ouvi falar de peixe-cavalo, mas cavalo-peixe é a primeira vez.
Não é hora de brincadeira, pois a aura dessa criatura é vermelha e intensa. Muito semelhante à aura que Moryn usou para me ameaçar.
E, julgando a aura dos três humanos… Eles não tem a menor chance contra essa criatura.
O guerreiro: um rapaz de armadura completa de couro marrom, cabelos curtos e loiros, carregando uma clava de ferro e um escudo de madeira. Avança para o ataque.
Ele corre gritando em direção a criatura, com a clava erguida, e acaba escorrendo por causa do solo lamacento, que o faz cair com força de cara no chão.
O monstro relincha, como se zombasse do guerreiro. Ele se levanta sobre as duas patas traseiras e se prepara para esmagar a cabeça do guerreiro com seus cascos dianteiros.
De repente, a criatura é atingida no peito por um relâmpago, seguido do som de trovão que eu havia ouvido anteriormente.
O monstro cair de costas para dentro do lago. Duvido que ele tenha sido derrotado tão facilmente.
O ataque veio de uma garota de longos cabelos ruivos, vestindo um chapéu de bruxa e um vestido negro.
Em sua mão direita, ela segura uma varinha de madeira, um leve brilho azul-pálido brilhando na ponta. Na borda da saia, ela carrega duas varinhas e um frasco com um líquido desconhecido.
Afinal, ela é uma maga ou uma bruxa?
– Astrid! Eu disse para tomar cuidado!
– É culpa desse chão imundo!
Disse a guerreira se levantando e socando o chão com força, limpando a lama do rosto.
Espera.
Isso é uma mulher?
O monstro ressurgi do lago, caminhando até a borda e encarando diretamente a guerreira e a maga ao mesmo tempo. A aura dele parece ainda mais intensa.
– Eu seguro ele!
Diz o último integrante do grupo: Um rapaz negro, de cabelo preto e curto, usando uma capa com capuz verde-escuro. Por baixo da capa, suas roupas são completamente pretas, excerto pelas botas de couro marrom.
O rapaz põe uma das mãos no chão, e um brilho verde em forma de círculo surge debaixo dele e, em seguida, debaixo da criatura. Raízes saem do solo, enroscam-se nas patas do monstro e sobem pelo corpo dele, deixando-o imóvel.
– Agora eu posso destruir a cabeça desse desgraçado!
A guerreira caminha em direção ao monstro que se debate na tentativa de sair das raízes.
– Anda logo, Astrid! Isso não vai segura-lo por muito tempo!
Diz o rapaz.
– Eu sei! Não enche!
Ao se aproximar, ela levanta a clava, preparando o ataque.
Quando, de repente, uma esfera d'água sai de dentro do lago e voa em direção à guerreira, que é empurrada para trás pelo impacto do golpe, ficando completamente encharcada.
– Esse miserável…
– Você demorou de mais!
Diz a maga apontando sua varinha para a criatura.
Lâminas d'água cortam as raízes que prendiam o monstro, que relincha em direção ao grupo.
Aparentemente, essa batalha está longe de terminar.
Continua…
