Capa de Aurora, uma luz no nevoeiro

Aurora, uma luz no nevoeiro

Capítulo 8 — Capítulo 8

CHARLOTTE

Narração por ela

Fiquei surpresa ao ver o garoto de cabelos ondulados novamente, por mais que eu tenha ficado com raiva por ter me dado um gelo no laboratório, resolvi tentar pedir outra informação.
Porém, algo estava errado, ele estava estático no meio do corredor, conforme eu me aproximava, mais hesitante ele ficava, como se temesse a minha presença.
Assim que cheguei perto o suficiente, ele me encarou diretamente nos olhos e não mexeu sequer um músculo.

— Olá, boa noite — comecei — Eu me perdi por aqui, sabe onde fica o PSA? — ele continuou me ignorando, o pior de tudo, não parava de me encarar, talvez a minha máscara esteja abafando a minha voz.

Eu estava nervosa e ansiosa, me senti descolada pois nada daquilo saiu como planejado, era como se eu pulasse de um trampolim numa piscina e descobrir que era apenas um chão rochoso com pedras afiadas, eu contei até três e decidi falar mais alto e fazendo gestos.

— O Meu nome é Charlotte, muito prazer em conhecê-lo, eu notei que estamos trabalhando no mesmo cargo, você poderia me ajudar a encontrar o Pronto Socorro Adulto? — Fiquei esperando uma resposta, mas nada, era como se eu tivesse falando com uma parede.

A minha paciência estava no limite, então decidi dançar conforme a música e como ele não falava, respirei bem fundo e contei até três novamente — Deixa pra lá, eu me viro.

Dei as costas para ele e segui o caminho que poderia ser o certo, foi então que ouvi um estrondo atrás de mim, levei um susto e me virei para ver o que tinha acontecido,a maleta do garoto estava caída no chão, ele agachou para pega-la, me olhou e inclinou a cabeça como se estivesse me convidando a segui-lo, eu não entendi na hora mas resolvi dar um voto de confiança.
Tem câmeras por todas as partes e nas dobras de cada parede, além disso, eu sou faixa roxa no jiu-jitsu, então se ele tentar qualquer coisa, além de virar um tapete de animal morto, vai ter o seu próprio vídeo sendo estrelado em todo o estado.

Andamos até o elevador novamente, lá dentro, ele apontou para o visor e para o botão -1, depois me encarou novamente e fez um sim com a cabeça.

— Obrigada? — Fiquei confusa, mas decidi confiar e apertei o botão, ele apenas saiu do elevador, as portas se fecharem completamente.
Aquele jeito estranho me deixou com dúvidas, será que ele possuía alguma deficiência auditiva? Mas geralmente, as pessoas assim costumam fazer grunhidos ou sinais com as mãos. E se for ao contrário? De qualquer forma, aquilo era estranho.

Quando as portas se abriram, fiquei aliviada ao ver toda aquela agitação na ala monocromática, o lugar estava certo e agora eu sabia qual era o andar do PSA, fui até a sala das ADM e Alycia estava tão concentrada no trabalho que mal me viu entrar — Desculpa o atraso, eu me perdi.

— Está tudo bem flor, aqui é um labirinto para os novatos, você acaba se acostumando, Klarier foi atrás de você — ela solta pequenas gargalhadas.

— Minha nossa, e agora? O que eu faço?

— Chegou mais alguns materiais para subir. Se você quiser esperar ela aqui, pode ficar à vontade, mas não deixe as coletas ficarem lá por mais de 10 minutos.

— É melhor eu subir, não deixar os pacientes esperando.

— Você é quem sabe flor. Quando Klarier voltar, aviso que você está sã e salva.

— Obrigada.

Já com as coisas nas mãos, fui até a sala de coleta e repeti todo aquele procedimento.
O tempo passava devagar, os materiais estavam chegando sem parar, me desculpei com Klarier e ela agiu de forma compreensiva, nós subiamos e descíamos pelo elevador o tempo inteiro, revisamos cada viagem e em certos momentos, iríamos juntas, me perguntava em como ela aguentava fazer esse processo sozinha.

O relógio estava marcando 22h da noite e eu já estava exausta de subir e descer o tempo todo, só se passaram 4 horas e o plantão estava longe de terminar.
Em um determinado momento, recebi uma mensagem de Erick, me aliviei por um instante, toda aquela situação parecia sumir quando falava com ele, estava preocupado, querendo saber como eu estava, respondi para não se preocupar, ele me pediu pra voltar pra casa pois estava sentindo a minha falta, eu queria sair daqui e ir pra casa o mais rápido possível, mas eu não poderia abandonar o plantão assim do nada.

Voltando novamente para o PSA, Klarier disse que estava na hora do intervalo, 1 hora de janta e meia de descanso, era um sinal bom de que metade do tempo já tinha se passado.