Ferox Cap. 6
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Ferox

Capítulo 6 — 6-Proditio

Já é outro dia no colégio Fundação AEF.
Um dia aparentemente normal.
Os alunos estão na sala, esperando o próximo professor. Axel conversa com algumas pessoas enquanto Zaio, ao lado, dorme profundamente em outra cadeira.
De repente, alguém dá alguns petelecos na cabeça dele.
— Zaio: Ahm...? Que cê quer, Marie...? Tava num soninho mó bom...
Marie ri.
— Marie: Nossa, tua cara tá péssima. Tu anda dormindo direito?
(rindo)
Fez a atividade de português? Ia te pedir pra me passar...
Zaio levanta a cabeça na hora.
— Zaio: TINHA ATIVIDADE DE PORTUGUÊS?!
— Marie: Hihi... cê se ferrou. Página 50 a 55.
Zaio esfrega os olhos, ainda meio cego de sono.
— Zaio: Nem lembro... aula de português é meu remédio pra dormir...
Marie suspira, decepcionada.
— Marie: Não me surpreende. Metade do ano já passou e você entregou, o quê? Duas atividades?
— Zaio: Se veio aqui só pra falar mal de mim, pode vazar, chatona.
Ela levanta as mãos em rendição. Logo, o professor entra e a aula começa.
[...]
Mais tarde, no recreio.
Zaio, Axel e Marie saem da sala e vão até uma mesa onde dois conhecidos já estão sentados.
Zaio se joga na cadeira.
— Zaio: Meu Deus, que aula chata... nunca vi alguém falar tão arrastado quanto aquele professor...
Axel ri e balança a cabeça.
— Axel: Seria um milagre você prestar atenção na aula... ou gostar de alguma, né?
Zaio responde com um dedo do meio.
Minerva fala, tímida:
— Minerva: Pior que às vezes é difícil entender mesmo...
Zaio aponta na hora:
— Zaio: Tá vendo?! Eu não tô errado!
Ajax ri, mexendo no cabelo.
— Ajax: É... mas a Minerva faz as atividades, né? E não dorme na aula.
— Zaio: Ei! Você nem é da nossa sala pra saber!
— Ajax: Mas todo mundo sabe que você dorme.
Todos riem. Zaio abaixa a cabeça na mesa, resmungando.
[...]
Na cafeteria.
Dante chega e vê Robert acenando. Ele se senta.
— Robert: Bom dia, Dante. Está um clima bem cal—
— Dante: Fala logo.
Robert sorri.
— Robert: Estive analisando melhor o caso do Zaio... e percebi algo curioso.
A forma como aquilo se integrou ao corpo dele... sem rejeição, sem resposta imunológica...
Ou foi algo extremamente bem feito... ou ele é naturalmente compatível.
Dante coça a barba.
— Dante: Agora que você falou... faz sentido. Mas por quê ele?
— Robert: Ainda não sei.
Mas acredito que o funcionamento esteja ligado a emoções extremas... medo, raiva...
Ser atacado daquele jeito certamente ativaria algo assim.
Dante suspira.
— Dante: Ele foi atacado de novo. Eu e o outro garoto também.
E... aquilo... é absurdo. Nunca vi nada igual.
Robert morde levemente os lábios, lembrando da falha... mas disfarça.
— Robert: Então vai continuar acontecendo...
Desejo sorte a ele.
Dante sorri de forma triste.
— Dante: Sorte... ele vai precisar.
Robert toma um gole de café.
— Robert: Mudando de assunto... lembra do nosso tempo no quartel?
Dante responde, tranquilo:
— Dante: Claro. Foi complicado... mas teve seus momentos.
Robert o encara.
— Robert: Antes de você chegar... eu era o melhor.
Respeitado. Admirado.
Até você aparecer... e tirar tudo de mim.
O clima muda.
— Robert: Minha fama. Meus amigos. Meu cargo.
Fui jogado de lado... enquanto você virou herói.
Dante fica sério.
— Dante: Robert...
— Robert: Não importa mais.
Mas o seu futuro... eu posso destruir.
Ele injeta a substância no próprio braço.
O corpo começa a mudar.
Músculos crescem de forma grotesca. Braços surgem nas costas. A pele se deforma, inchada, podre.
Ele cresce.
Muito.
Uma criatura de quase seis metros, com membros deformados e pele derretida.
Dante é arremessado contra um grande colchão inflável de uma publicidade próxima.
Ele levanta rápido e atira.
[...]
No colégio.
Tiros ecoam.
Os alunos são evacuados às pressas.
Zaio, Axel e os outros seguem com o grupo — mas, ao passar por um muro destruído, Zaio vê.
Dante.
Lutando.
Sem pensar, ele sai escondido e entra em um beco.
Respiração pesada.
Coração disparado.
Medo.
Raiva.
Desespero.
Ele cai de joelhos.
E então—
Os ossos quebram.
O corpo se contorce.
Pelos negros surgem.
A estrutura se afina.
A cabeça se divide.
Os olhos se tornam vermelhos, cor de sangue.
A boca se abre em quatro partes.
Dentes.
Centenas deles.
A criatura nasce.
E dispara em direção à luta.
[...]
Enquanto isso, do lado de fora—
Axel olha em volta.
— Axel: ...cadê o Zaio?
Marie também começa a procurar.
— Marie: Ué... ele tava aqui agora!
Minerva fica preocupada.
— Minerva: Será que ele ficou lá dentro...?
Ajax franze a testa.
— Ajax: Cadê aquele idiota... Axel, tu sabe onde ele tá?
— Axel: Não sei... tô falando sério...
Ajax passa a mão no rosto, irritado.
— Ajax: LIGA PRA ELE, IDIOTA!
— Axel: CALMA, PORRA!
Axel pega o celular. Tenta ligar.
Nada.
— Axel: Merda... sem sinal...
Ajax lembra de algo.
— Ajax: Minha tia mora aqui perto... lá tem internet. Dá pra tentar de lá.
Axel não pensa duas vezes.
— Axel: Então vamos! A gente precisa achar ele!
Os quatro saem correndo.
[...]
Na casa da tia do Ajax.
Eles sobem até o terceiro andar — um lugar mais aberto, com visão da rua.
Axel tenta ligar de novo.
— Axel: ...só chama... ele não atende...
Marie cruza os braços, inquieta.
— Marie: Ah... ele deve ter ido pra casa que nem um idiota e esquecido da gente... eu espero...
Minerva olha para baixo.
E trava.
— Minerva: ...gente... olha aquilo...
Os quatro se aproximam.
Lá embaixo—
Duas figuras.
Distantes.
Mas claramente não normais.
Se movendo rápido.
Violentas.
Erradas.
— Ajax: Que porra é essa...?
Axel fica em silêncio.
Ele reconhece.
Mas não fala.
— Axel: ...isso não é normal...
Eles continuam olhando.
Sem entender totalmente.
Mas com medo.
[...]
De volta à luta.
Zaio avança.
Tenta atacar—
E é arremessado contra a parede.
Dante olha.
— Dante: ...Zaio?
A criatura se levanta.
Começa a correr ao redor do monstro.
Cada vez mais rápido.
Desviando dos ataques.
Calculando.
Atacando.
Arranca um braço.
Mas é jogado novamente.
Dante grita:
— FOCA NA CABEÇA, A CABEÇA, IDIOTA!
Zaio entende.
Corre.
Mais rápido.
Mais rápido.
Sobe pela parede de um prédio.
Salta entre varandas.
O monstro tenta alcançá-lo — falha.
Dante provoca:
— HEY ROBERT! LEMBRA DA TUA GAROTA? EU QUE TAVA COM ELA!
A criatura se enfurece.
Avança.
Pesada.
Lenta.
No momento exato—
Zaio salta.
Um braço tenta segurá-lo—
Dante atira.
O braço solta.
Zaio abre a boca—
E destrói a cabeça da criatura.
Silêncio.
O corpo cai.
Sangue escorre.
Sirenes ao longe.
Dante acena discretamente e pula pra dentro da cafeteria, onde se esconde.
Zaio recua.
Corre.
Some em um beco longe de tudo aquilo.
Se joga dentro de uma caçamba de lixo.
A transformação começa a desaparecer.
O corpo humano volta—
Dor absurda.
Ele grita, mas o som é abafado pelo lixo ao redor.
E então desmaia.